Maximus, o gato que redesenha o tabuleiro político do premiê Bart De Wever
Maximus, o gato do premiê Bart De Wever, virou ferramenta de comunicação e soft power, superando até Larry de Downing Street.
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Maximus, o gato que redesenha o tabuleiro político do premiê Bart De Wever
Por Marco Severini — Em Bruxelas, um felino assumiu papel incomum no centro da tensão política: Maximus, um gato da raça Scottish Fold, transformou-se em plataforma comunicacional do premiê belga Bart De Wever. Instalado nos escritórios de Rue de la Loi, o animal — oficialmente apresentado nas redes como Maximus Textoris Pulcher — acumula mais de 200 mil seguidores em menos de um ano e funciona como um instrumento suave de interlocução entre o poder e a opinião pública.
No vocabulário latinizante do nome, Maximus evoca "o maior", Textoris remete à forma de "De Wever" e Pulcher significa "o belo". Mas é nos usos práticos que o gato revela sua relevância: em uma comunicação institucional rígida e cerimoniosa, a presença felina permite transmitir mensagens políticas com um verniz de familiaridade — mensagens que, vindas diretamente do premiê, poderiam soar ásperas, mas que atribuídas a um animal tornam-se socialmente palatáveis.
Trata-se de uma jogada fina no tabuleiro da comunicação: um movimento decisivo no tabuleiro que explora as brechas entre formalidade e empatia. O gabinete de De Wever transformou o perfil de Maximus em canal alternativo para ideias e imagens, redirecionando a atenção pública dos litígios partidários para uma narrativa de proximidade. É uma ilustração contemporânea da soft power e daquilo que chamo de "diplomacia de bigodes": pequena, eficaz, capaz de alterar percepções sem mover tropas.
O caso belga adquire mais relevância se comparado ao célebre felino de Downing Street. O britânico Larry, adotado em 15 de fevereiro de 2011 e conhecido como Chief Mouser to the Cabinet Office, foi introduzido no cerne do poder como caçador simbólico de roedores e consolidou-se como ícone pop e de estabilidade, servindo a seis primeiros-ministros. Porém, mesmo Larry, com sua longevidade e exposição midiática — incluída uma passagem viral envolvendo o fotógrafo do Presidente da Polónia — não tinha o papel de porta-voz indireto que hoje se observa em Bruxelas.
Os felinos nos palácios do poder atuam como um mecanismo de humanização: não legisladores, não estrategas formais, mas eficazes redistribuidores de atenção. A presença de Maximus e de Larry evidencia como, nos bastidores, se desenha uma sutura entre a arquitetura pública e a afetividade privada — um redesenho de fronteiras invisíveis que reordena a tectônica de poder sem confrontos abertos.
Do ponto de vista geopolítico, esses episódios são lembretes de que a estabilidade política também se constrói em pequenas operações de simpatia: a diplomacia se faz tanto nos salões quanto nos corredores, e, às vezes, sob os bigodes de um gato.


