Morte de Majid Khademi em ataque atribuído a EUA e Israel intensifica tensão entre Teerã e o bloco ocidental
Khademi, chefe de inteligência dos Pasdaran, foi morto em ataque atribuído a EUA e Israel; Teerã rejeita trégua e acusa Axios de ligação com o Mossad.
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Morte de Majid Khademi em ataque atribuído a EUA e Israel intensifica tensão entre Teerã e o bloco ocidental
Majid Khademi, apontado como chefe da intelligence dos Pasdaran (Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica), foi morto em um raid atribuído aos Estados Unidos e a Israel, informou o próprio Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) em comunicado oficial divulgado pelos meios iranianos, incluindo a agência Tasnim.
A eliminação de Khademi — nomeado em junho de 2025, menos de um ano no cargo, após a morte de seu antecessor Mohammed Kazemi durante a chamada Guerra dos 12 Dias — representa mais um movimento decisivo no tabuleiro da segurança regional. Em termos de arquitetura geopolítica, trata-se de um aperto na fileira de comando dos serviços de segurança iranianos, capaz de redesenhar, ainda que temporariamente, as linhas de comando e a capacidade de reação dos Pasdaran.
No comunicado, o IRGC qualificou Khademi como figura estratégica do aparato de segurança da República Islâmica e reiterou a recusa de qualquer trégua ou mediação com Washington, chegando a afirmar que a publicação Axios atua como “um meio de comunicação do Mossad”. A declaração traduz a tectônica de poder em que Teerã percebe não apenas uma campanha de operações especiais, mas também uma guerra de narrativas destinada a corroer a autonomia estratégica iraniana.
As repercussões políticas internas em Teerã foram imediatas. O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu publicamente os Estados Unidos, acusando o governo norte-americano de seguir uma agenda alinhada com Tel Aviv e afirmando que tal escalada poderia arrastar Washington para “um inferno” regional — expressão que ilustra a gravidade do momento e a retórica de mobilização interna contra um inimigo externo.
No mesmo contexto, a retórica do ex-presidente Donald Trump e seus aliados exacerbou a crise. Mensagens beligerantes veiculadas por plataformas associadas ao ex-mandatário estimularam uma atmosfera de confronto, enquanto figuras do movimento Maga, como a ex-deputada Marjorie Taylor Greene, criticaram publicamente qualquer moderação, aprofundando cisões políticas internas nos EUA sobre a condução da crise no Golfo.
Analiticamente, a morte de Khademi é um sintoma e um fator de escalada: sintoma porque revela a capacidade e a disposição do eixo EUA‑Israel para operações de alto valor contra lideranças iranianas; fator porque abre lacunas de comando que podem gerar respostas assimétricas por parte dos Pasdaran, incluindo ataques por procuração por meio de milícias regionais ou operações cibernéticas e de inteligência.
Do ponto de vista estratégico, estamos diante de um duplo desafio para atores internacionais: mitigar o risco de uma reação em cadeia que desagregue ainda mais a estabilidade no Oriente Médio e gerir, no tabuleiro diplomático, alternativas para evitar que a violência se institucionalize como instrumento de política externa. A tarefa exige, como em um jogo de xadrez, movimentos calculados para não sacrificar peças que possam ser essenciais à reconstrução posterior de canais de diálogo.
A situação segue em evolução. Fontes oficiais iranianas e ocidentais ainda não detalharam todas as circunstâncias da operação que eliminou Khademi, e a análise dos próximos dias será crucial para entender se a nova perda de um líder de inteligência iraniano produzirá uma escalada retaliatória imediata ou uma série de respostas calibradas na geografia regional.