Netanyahu diz que Mojtaba Khamenei está vivo, mas com autoridade reduzida no Irã
Netanyahu diz acreditar que Mojtaba Khamenei está vivo, com autoridade reduzida, e avalia riscos e estratégias frente ao Irã e seus aliados regionais.
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Netanyahu diz que Mojtaba Khamenei está vivo, mas com autoridade reduzida no Irã
Por Marco Severini — Em entrevista ao programa 60 Minutes da CBS, o primeiro‑ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou crer que o sucessor nomeado do pai assassinado — Mojtaba Khamenei — está vivo, ainda que não existam informações públicas sobre seu paradeiro desde a nomeação ocorrida no início de março.
Na conversa com a equipe da emissora norte‑americana, Netanyahu disse: "Acredito que ele esteja vivo. Quais sejam as suas condições, é difícil dizer. Pode estar refugiado em algum bunker ou em local secreto". O primeiro‑ministro avaliou que, embora Mojtaba Khamenei esteja tentando exercer autoridade, essa influência é substancialmente inferior à do seu predecessor, Ali Khamenei.
Adotando uma leitura geoestratégica cautelosa, Netanyahu reconheceu que nem Israel nem os Estados Unidos haviam previsto plenamente a eficácia com que o Irã aproveitou o controle sobre o Estreito de Hormuz antes do início da escalada recente. "Não pretendo ter uma previsão perfeita, e ninguém a teria tido. Nem mesmo os iranianos", afirmou, apontando para a volatilidade dos cálculos estratégicos na região.
Questionado a respeito de uma reportagem do New York Times que atribuiu a ele, em 11 de fevereiro, a declaração de que uma operação conjunta israelo‑estadunidense poderia provocar o colapso da República Islâmica, Netanyahu negou a versão: considerou a alegação "falsa", embora tenha admitido que naquela ocasião houve um reconhecimento compartilhado de incertezas e riscos. Citou inclusive o posicionamento do presidente americano, no sentido de que agir traz perigos, mas a inação também os acentua — uma escolha entre riscos estratégicos sobre o tabuleiro.
Sobre a eventual queda do regime, o premiê foi enfático na prudência analítica: "É possível? Sim. É garantido? Não". Referiu que, se ocorresse um colapso, isso desmontaria a teia de aliados e milícias patrocinadas por Teerã — entre eles Hezbollah, Hamas e os Houthi — alterando a tectônica de poder no Levante e no Golfo.
Netanyahu também restabeleceu uma meta estratégica de longo prazo: tornar Israel independente de todo o suporte militar norte‑americano dentro de uma década, reafirmando declaração prévia ao The Economist. Essa ambição é um movimento de autonomia na construção dos alicerces da defesa nacional.
Quanto ao programa nuclear iraniano, o primeiro‑ministro afirmou que a guerra com o Irã "não terminou" e ressaltou que o urânio enriquecido em posse de Teerã só pode ser retirado mediante ação direta: "Para tirar o urânio enriquecido, é preciso entrar e levá‑lo embora". Segundo ele, o ex‑presidente Donald Trump lhe disse que estaria disposto a intervir.
O diagnóstico de Netanyahu projeta um cenário onde a incerteza e a contenção continuam a moldar decisões, e onde cada movimento no tabuleiro regional exige cálculo frio e preparação longa — uma arquitetura estratégica que privilegia a resiliência e a capacidade de resposta diante de fronteiras políticas ainda por redesenhar.