NEXT Milan Forum 2026: Deloitte e Università Bocconi reúnem mais de 1.000 jovens líderes em Milão
NEXT Milan Forum 2026: mais de 1.000 jovens líderes de 60 países se reúnem em Milão (4-6 maio) com Deloitte e Università Bocconi para debater futuro global.
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NEXT Milan Forum 2026: Deloitte e Università Bocconi reúnem mais de 1.000 jovens líderes em Milão
Por Marco Severini — Em um movimento que reordena, ainda que discretamente, linhas de influência no mapa da liderança global, o NEXT Milan Forum retorna a Milão entre 4 e 6 de maio de 2026. A terceira edição do encontro, promovida por ISPI, Università Bocconi e OECD, com a Deloitte Italia no papel de Official Knowledge Partner, reunirá mais de 1.000 jovens líderes com idades entre 20 e 35 anos oriundos de mais de 60 países.
Trata-se de um tabuleiro de debate cuidadosamente desenhado: espaços públicos de diálogo na Università Bocconi e sessões fechadas que apontam para a construção de políticas e propostas concretas. Confirmaram presença, entre outros, figuras que representam tanto o capital moral quanto o peso institucional do cenário internacional: os laureados com o Prêmio Nobel da Paz Kailash Satyarthi e Ouided Bouchamaoui, o último Prêmio Nobel de Economia Philippe Aghion, o Presidente do Banco Mundial Ajay Banga, a Global Chair da Deloitte Anna Marks, a responsável por Assuntos Globais da Microsoft Lisa Monaco e o astronauta da ESA Luca Parmitano.
Desde sua inauguração, o NEXT Milan Forum consolidou-se como um ponto de convergência entre jovens formadores de opinião, decisores públicos e protagonistas do mundo acadêmico e empresarial. As edições anteriores já atraíram nomes como António Guterres, Volodymyr Zelenskyy, Kristalina Georgieva, Paolo Gentiloni, Samantha Cristoforetti e distintos laureados com o Nobel — um histórico que confere ao evento legitimidade e visibilidade perante fóruns multilaterais e governos.
Na prática, os dias 4 e 5 de maio estão reservados a encontros abertos ao público na Università Bocconi, onde os jovens delegados terão a oportunidade de confrontar-se diretamente com líderes políticos, economistas e personalidades institucionais. A agenda cobre temas centrais para a ordem internacional contemporânea: instabilidade geopolítica, as tecnologias emergentes e o impacto transformador da Inteligência Artificial, educação, trabalho e novas competências, o futuro do comércio internacional e a agenda da sustentabilidade.
Uma iniciativa de relevo é a Idea Slam, plataforma na qual propostas inovadoras sobre desenvolvimento sustentável e mudanças climáticas serão submetidas com base em cenários elaborados por ISPI e Deloitte Italia. As ideias selecionadas terão um destino estratégico: serão encaminhadas ao G7 para subsidiar formulações de políticas internacionais — uma conexão direta entre juventude engajada e a arquitetura das decisões globais.
Além das sessões plenárias, o programa inclui workshops a portas fechadas nas manhãs de 4 a 6 de maio, organizados em espaços do ISPI, da Università Bocconi e em outros locais parceiros na cidade. Estes ambientes reservados propiciarão discussões táticas e a redação de propostas, em que a juventude atua não apenas como plateia, mas como agente de política pública.
Do ponto de vista estratégico, o encontro confirma Milão como um nó de convergência europeia — um centro urbano que funciona como encruzilhada entre talento, capital e pensamento público. Em termos de diplomacia intelectual, o NEXT Milan Forum desenha um movimento decisivo no tabuleiro: jovens líderes treinam suas peças, amadurecem linhas de ação e submetem suas visões aos alicerces frágeis da governança global. A tectônica de poder contemporânea exige espaços assim, onde a arquitetura do debate se converte em propostas com potencial de escapar do gabinete e afetar políticas reais.
Em suma, a edição 2026 do NEXT Milan Forum não é apenas um encontro de gerações: é uma tentativa deliberada de institucionalizar canais pelos quais a voz jovem alimenta os corredores do poder. Observar como essas propostas transitam — do workshop fechado à agenda do G7 — será, nos próximos meses, um exercício de cartografia política essencial para entender o redesenho, por vezes sutil, das fronteiras de influência.