UE aprova novas regras para passageiros aéreos: trolley na tarifa base, rimborsi e direitos reforçados

Parlamento Europeu aprova novas regras para passageiros: trolley na tarifa base, compensações após 3h e direitos ampliados para menores e pessoas com necessidades.

UE aprova novas regras para passageiros aéreos: trolley na tarifa base, rimborsi e direitos reforçados

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UE aprova novas regras para passageiros aéreos: trolley na tarifa base, rimborsi e direitos reforçados

Por Marco Severini — Em um movimento decisivo no tabuleiro regulatório europeu, o Parlamento Europeu aprovou definitivamente hoje um pacote de mudanças que altera o regulamento de proteção dos passageiros aéreos. O texto, resultado de consensos recentes com o Conselho, seguirá agora para apreciação final do Conselho da UE, onde deverá ser aprovada por maioria qualificada antes de entrar em vigor.

As inovações têm um caráter prático e simbólico: tornam mais claras as obrigações das companhias e ampliam a proteção do consumidor, enquanto redesenham, de forma discreta, os alicerces da relação entre operadores e viajantes. Entre os pontos mais relevantes estão a inclusão do trolley na tarifa de referência, mudanças nas regras de compensação por atrasos e novas salvaguardas para passageiros em situação de vulnerabilidade.

Em detalhe, o texto aprovado reduz de quatro para três horas o limite a partir do qual as companhias terão de pagar risarcimento por atraso. Os valores fixados oscilam entre 250 e 600 euros, conforme a distância do voo: 250 euros para até 1.500 km; 400 euros para trajetos entre 1.500 e 3.500 km; e 600 euros para rotas mais longas. A indenização pode ser reduzida em 50% para voos longos se for oferecido um voo alternativo ou se o atraso na chegada não superar quatro horas.

As empresas podem ainda ser exoneradas do pagamento quando o atraso ou cancelamento decorre de circunstâncias excepcionais fora de seu controlo. O novo texto lista, de forma não exaustiva, situações como calamidades naturais, guerras, condições meteorológicas extremas, comportamentos indisciplinados de passageiros e greves de aeroportos, serviços de navegação aérea ou assistência em terra.

Outra inovação de peso é a obrigação de incluir a bagagem de mão — o tradicional trolley — numa "tarifa base" exibida desde o início ao passageiro por companhias, intermediários e motores de busca. Mantém-se, porém, uma opção mais económica, que permite embarcar apenas com uma pequena bolsa ou mochila guardada sob o assento.

As novas regras também proíbem exigências de aplicativos obrigatórios para o embarque e resolvem pendências concretas do quotidiano: menores que viajam com os pais não precisarão mais comprar assentos adicionais para permanecer juntos; medidas específicas combatem práticas de no‑show que prejudicam pessoas com mobilidade reduzida, gestantes e menores não acompanhados; e há garantias contra a perda de voos de retorno em caso de perda do primeiro trecho.

O texto reforça, igualmente, os direitos reforçados de passageiros com necessidades específicas, assegurando assistência prioritária, reprogramação com assentos juntos para acompanhantes e familiares, proteção das ajudas à mobilidade e compensações quando a assistência não for adequada.

Do ponto de vista estratégico, trata-se de um ajustamento relevante na tectônica de poder entre reguladores e operadores: impõe maior transparência de tarifas e cria incentivos para revisar modelos comerciais baseados em taxas segmentadas. Para as companhias, será preciso recalibrar receitas ancilares; para os viajantes, apresenta-se uma vitória na arquitetura dos direitos de consumo.

Em suma, a proposta é uma jogada de xadrez institucional que favorece a previsibilidade e fortalece a proteção do passageiro, sem romper o tecido operacional do setor. Resta agora o crivo final do Conselho da UE para que estas normas deixem de ser projeto e assumam-se como regra obrigatória no continente.