Pogacar na Vuelta 2026: o movimento decisivo rumo à Tripla Corona
Pogacar inicia a Vuelta 2026 em busca da Tripla Corona; percurso duro, rivais fortes e a gestão rumo ao Mundial definem a estratégia do campeão.
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Pogacar na Vuelta 2026: o movimento decisivo rumo à Tripla Corona
Parte hoje, do Principado de Mônaco, a Vuelta 2026, o terceiro e último Grande Giro da temporada. A corrida terminará em 13 de setembro, após 21 etapas que somam 3.275 quilômetros e impressionantes 58.156 metros de desnível. O traçado privilegia os homens de geral: duas cronometro, seis etapas de montanha, quatro de média montanha, cinco colinas e apenas quatro frações planas. Haverá sete chegadas em alto — uma Vuelta arquitetada para quem tem ambição de classificação.
O nome que domina as atenções é, como era previsível, Tadej Pogacar. Sete anos depois da sua estreia espanhola — quando, com 20 anos, terminou em terceiro e conquistou três vitórias de etapa — o ciclista esloveno reaparece na Vuelta não mais como promessa, mas como referência do pelotão, vindo de uma vitória no Tour de France. No tabuleiro que é a temporada, Pogacar move-se agora com o estatuto de dominador.
Em jogo estão duas marcas históricas. Uma vitória em Espanha permitiria ao esloveno completar a chamada Tripla Corona — vencer Giro d'Italia, Tour e Vuelta ao longo da carreira — um clube exclusivo que, até hoje, reúne apenas oito nomes. Paralelamente, Pogacar tem a chance de tornar-se o quarto ciclista a conquistar Tour e Vuelta no mesmo ano, ao lado de Jacques Anquetil (1963), Bernard Hinault (1978) e Chris Froome (2017). São movimentos raros na tectônica de poder do ciclismo moderno.
A escolha pelo calendário não foi casual: a partida em Mônaco pesou na decisão de inserir a Vuelta na programação. "Discutimos em dezembro com a equipe se havia possibilidade de participar — disse Pogacar —. A prioridade era o Tour, mas eu realmente queria a Vuelta. Com a partida de Mônaco, este ano foi a oportunidade correta para tentar as duas corridas." A declaração evidencia o cálculo de força, a arquitetura de um plano que equilibra ambição e gestão de recursos.
O grande dilema prático permanece: quanto energia Pogacar estará disposto a gastar? No horizonte imediato há o Campeonato Mundial em estrada, em 27 de setembro, onde o esloveno mira sua terceira camisa arco-íris consecutiva. A Vuelta pode ser uma nova marcha para recordes ou uma corrida a ser gerida com parcimônia. Pogacar, porém, afasta qualquer ideia de passeio: "A concorrência é muito forte. Haverá ciclistas realmente, realmente bons. Será uma corrida dura."
A ausência de Jonas Vingegaard, afastado por lesão sofrida no Tour, afina ainda mais as atenções sobre o esloveno como favorito. Entre os adversários de maior calibre figuram Felix Gall (vice do Giro), Mattias Skjelmose (6º no Tour), Richard Carapaz, Oscar Onley e Tobias Johannessen. Não se pode subestimar Primoz Roglic, tetracampeão da Vuelta, cuja experiência nas montanhas é um elemento decisivo no desenrolar da prova. Outro fator a observar será o papel de João Almeida: inscrito como colega de equipe de Pogacar, o português tem capacidade para almejar o pódio — e a relação entre os dois pode revelar-se um xeque estratégico, lembrando o apoio que Pogacar ofereceu a Isaac Del Toro no Tour.
Para a Itália, as ambições são mais contidas. São 13 os ciclistas italianos no pelotão, com nomes como Lorenzo Fortunato entre os destaques. Em termos de resultado agregado, a delegação italiana aproxima-se desta Vuelta como ator secundário, à espera de oportunidades em etapas de ruptura e ataques pontuais.
Assim, a Vuelta 2026 inaugura-se como um campo de jogo onde decisões estratégicas, gestão de desgaste e alianças temporárias determinarão o desenho final. A corrida poderá consagrar uma lenda, testar a resiliência de um campeão e redesenhar, por alguns meses, os eixos de influência no ciclismo mundial — movimentos de peças que só se revelam ao término de uma longa partida.

