Relatório CIA e Mossad indica transferência de urânio enriquecido e centrífugas para Pickaxe Mountain

Relatório da CIA e do Mossad aponta transferência de urânio e centrífugas para Pickaxe Mountain; tensão aumenta e Trump avalia ataques.

Relatório CIA e Mossad indica transferência de urânio enriquecido e centrífugas para Pickaxe Mountain

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Relatório CIA e Mossad indica transferência de urânio enriquecido e centrífugas para Pickaxe Mountain

Por Marco Severini — Em uma avaliação que redesenha, silenciosamente, os contornos do poder no tabuleiro do Oriente Médio, relatórios de inteligência israeliana e americana apontam que o Irã teria transferido urânio enriquecido e milhares de centrífugas nucleares para um extenso complexo subterrâneo conhecido como Pickaxe Mountain, nas proximidades do centro de enriquecimento de Natanz. A informação, partilhada entre Mossad e CIA, reacende as inquietações ocidentais sobre a recuperação e a proteção de capacidades nucleares iranianas após ataques que danificaram instalações nos últimos anos.

Segundo as avaliações, o movimento teria ocorrido no outono do ano passado, na sequência da guerra de doze dias de junho de 2025 que atingiu instalações em Natanz, Fordow e Isfahan. Fontes de inteligência sustentam que parte das máquinas e, possivelmente, estoques de urânio de grau avançado foram realojados em galerias cavadas profundamente na rocha para reduzir a vulnerabilidade a ataques aéreos convencionais.

Analistas descrevem o complexo de Pickaxe Mountain como uma estrutura projetada para resistir a armas do tipo bunker-buster, com galerias que, segundo estimativas, poderiam estender-se a mais de cem metros abaixo da superfície — uma profundidade que supera mesmo a do conhecido sítio de Fordow. Não está, entretanto, claro de quais instalações originais as centrífugas teriam sido deslocadas; a hipótese predominante é que equipamentos danificados em outros locais foram consolidados aqui exatamente por sua maior proteção natural.

Do ponto de vista da diplomacia estratégica, trata-se de um movimento defensivo e proativo: reposicionar material sensível em alicerces mais sólidos, numa cartografia subterrânea que complica a opção por ataques cirúrgicos sem escalada aberta. Contudo, a mesma avaliação que confere ao Irã essa vantagem tática também eleva o risco de choques regionais, porque transforma Pickaxe Mountain num potencial objetivo de alto valor.

Em Washington, o presidente Donald Trump tem publicamente indicado inclinação para ações militares específicas contra o sítio, declarando que os Estados Unidos podem continuar a bombardear e mirar o complexo. Em Teerã a resposta foi imediata e dura: autoridades iranianas advertiram que qualquer ataque ao local justificaria uma retaliação “devastadora”, dirigida contra tropas americanas e seus parceiros regionais. No plano prático, essa retórica já encontra eco no aumento de tensões no estreito de Ormuz, onde operadores comerciais relatam incidentes recentes, incluindo um ataque a um navio-tanque norueguês operado pela Stolt-Nielsen.

É crucial, da perspectiva de um estrategista, distinguir entre confirmação e indicação: as fontes que motivam o relatório de Mossad e CIA fornecem elementos consistentes, mas ainda não existe um consenso público absoluto sobre a extensão das transferências ou sobre a presença de todo o arsenal alegado. O resultado é uma tectônica de poder em movimento — um redesenho de fronteiras invisíveis que obriga os atores externos a recalibrar opções políticas e militares.

Enquanto isso, o mundo assiste a um jogo silencioso de defesa e dissuasão: o Irã busca proteger seus recursos mais sensíveis em alicerces subterrâneos; os Estados Unidos e aliados debatem a proporcionalidade e o custo de um ataque que, se executado, poderia transformar uma operação dirigida em um novo capítulo de instabilidade regional. No xadrez estratégico que define a região, Pickaxe Mountain aparece hoje como uma peça potencialmente decisiva.