Tailândia reduz estadia sem visto para turistas: de 60 para 30 dias e medidas para conter crimes transnacionais

Tailândia reduz estadia sem visto de 60 para 30 dias (15 para alguns países) para combater crimes transnacionais e reequilibrar turismo e segurança.

Tailândia reduz estadia sem visto para turistas: de 60 para 30 dias e medidas para conter crimes transnacionais

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Tailândia reduz estadia sem visto para turistas: de 60 para 30 dias e medidas para conter crimes transnacionais

Por Marco Severini — Em um movimento que reordena discretamente as regras do jogo no Sudeste Asiático, a Tailândia anunciou a redução do período de permanência sem visto para turistas provenientes de mais de 90 países. O governo decidiu cortar o prazo de 60 dias, vigente para a maioria dos visitantes, para 30 dias na maior parte dos casos e instituir um prazo de 15 dias para outros Estados, que serão definidos ad hoc em consulta com as respectivas embaixadas.

Segundo a porta-voz do governo, Rachada Dhnadirek, “o sistema atual tem vantagens, especialmente para a economia, mas permitiu abusos por parte de algumas pessoas”. A redução visa, nas palavras do ministro das Relações Exteriores, Sihasak Phuangketkeo, integrar a política de vistos ao esforço mais amplo de combater a criminalidade transnacional. Trata-se de um ajuste tático: não um ataque a países específicos, mas um movimento para retirar privilégios a indivíduos que se aproveitam do regime de isenção para praticar atividades ilícitas durante sua estadia.

Os países afetados incluem cidadãos de mais de 90 nações, entre elas os Estados-membros do Espaço Schengen, os Estados Unidos, Israel e a Rússia. Vale lembrar que a extensão para 60 dias havia sido adotada em julho de 2024 como medida de estímulo à recuperação do turismo no pós-pandemia. Agora, o governo reavalia esse alicerce em nome da segurança pública.

Nos últimos meses, casos envolvendo estrangeiros ganharam grande repercussão na mídia local: incidentes ligados ao consumo de álcool e drogas, comportamentos sexuais em locais públicos e a operação de estabelecimentos como hotéis e escolas privadas sem as autorizações legais. Esses episódios foram citados pelas autoridades como justificativa para o aperto nas normas e para um redesenho das fronteiras administrativas que regem a presença de visitantes no país.

Do ponto de vista econômico, a mudança chega em um momento sensível. O setor do turismo responde por mais de 10% do Produto Interno Bruto da Tailândia. O Reino esperava receber cerca de 33,5 milhões de turistas estrangeiros neste ano — número que já se encontra em queda de mais de três milhões em relação às previsões iniciais, efeito combinado da recuperação ainda incompleta e das reverberações da guerra no Oriente Médio sobre os fluxos globais.

Analiticamente, a medida representa um clássico movimento de cautela estatal: reduzir margens de erro no controle migratório sem romper com a abertura necessária ao setor turístico. Em termos geoestratégicos, é um ajuste nos mecanismos de governança que privilegia a estabilidade interna — um lance no tabuleiro que procura equilibrar ganhos econômicos e segurança pública.

Resta observar como essas mudanças serão implementadas na prática: a coordenação com embaixadas para definir os países sujeitos ao prazo de 15 dias, os mecanismos de fiscalização nos pontos de entrada e saída, e o impacto sobre itinerários de médio prazo. A Tailândia demonstra, assim, que a tectônica de poder entre segurança e economia pode deslocar-se sem alardes, mas com consequências palpáveis para turistas, operadores do setor e para a própria diplomacia do Reino.