Trump declara mais de US$ 1 bilhão em ganhos com criptomoedas no relatório financeiro de 2025
Declaração financeira de 2025 revela que Trump lucrou mais de US$1 bi com criptomoedas; destaque para royalties de US$635 mi e ganhos da World Liberty Financial.
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Trump declara mais de US$ 1 bilhão em ganhos com criptomoedas no relatório financeiro de 2025
Por Marco Severini — Em documento obrigatório apresentado para 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, registrou ganhos superiores a 1 bilhão de dólares provenientes de atividades no setor das criptomoedas, segundo apuração da BBC. A declaração financeira, de caráter volumoso — 927 páginas — revela uma arquitetura patrimonial cuja tectônica suscita atenção nos corredores da diplomacia econômica.
A peça contém detalhes que merecem exame cuidadoso: aproximadamente 635 milhões de dólares são atribuídos a royalties de uma criptomoeda baseada em um meme ligado ao próprio Trump. Este ativo, lançado poucos dias antes de sua posse, sofreu forte desvalorização após o lançamento inicial. Além disso, o documento certifica mais de 500 milhões de dólares provenientes da World Liberty Financial, uma empresa de cripto fundada por seus filhos e pelos filhos do seu enviado especial, Steve Witkoff.
Comparativamente, trata-se de um salto significativo em relação à última declaração pública, de 2024, quando o presidente havia declarado rendimentos acima de 600 milhões de dólares. O contraste entre os 927 páginas deste dossiê e as 11 páginas da declaração do presidente Joe Biden acentua a dimensão e a complexidade das posições financeiras envolvidas.
Antes de embarcar no novo Air Force One disponibilizado pelo Qatar, Trump reagiu às perguntas da imprensa negando que tenha se servido do cargo para benefício pessoal. "Sabe por que estou ganhando? Porque o mercado de ações está subindo, todos estão ganhando", declarou. O presidente afirmou que seu patrimônio é gerido por blind trusts e fundos independentes, e reiterou não manter envolvimento direto nas decisões financeiras: "Tenho muito dinheiro e muita liquidez; ganhei muito antes de ser presidente".
A Casa Branca, por meio da vice-porta-voz Anna Kelly, reafirmou a separação entre interesse público e privado, classificando como falsa a narrativa de conflitos de interesse. "Nem o presidente nem sua família foram, ou serão, envolvidos em conflitos de interesse", disse Kelly, acrescentando que a administração Trump orgulhosamente transformou os EUA em uma importante referência global no universo das criptomoedas.
É relevante recordar a trajetória de posicionamentos públicos do próprio Trump: em 2021, descreveu o Bitcoin como uma "fraude" e um "desastre anunciado"; contudo, ao longo da campanha posterior, seu discurso acomodou uma mudança que hoje se reflete em resultados financeiros relacionados ao setor. Essa evolução ilustra um movimento decisivo no tabuleiro, onde interesses privados e geopolítica tecnológica se entrelaçam.
Como analista, observo que a divulgação desta declaração amplia as linhas de fissura entre imagem pública e circuitos financeiros privados. A gestão por trustes e a delegação a administradores externos são ferramentas clássicas para blindar decisões; entretanto, quando se trata de ativos voláteis e de rápida ascensão, como as criptomoedas, os alicerces da diplomacia e da governança pública exigem transparência redobrada para preservar a estabilidade das instituições e evitar o redesenho invisível de eixos de influência.
O documento de 927 páginas não é apenas um inventário de valores: é um mapa que exige leitura estratégica — para juristas, reguladores e atores internacionais — sobre como o poder econômico se realinha em torno de novas classes de ativos digitais. No tabuleiro global, movimentos dessa natureza reverberam além das bolsas, afetando percepções, regulações e, eventualmente, alianças.