Trump anuncia acordo iminente com o Irã: Estreito de Hormuz reabrirá em 2-3 dias; Israel foi atingido e reagiu

Trump diz que acordo com o Irã é iminente; Estreito de Hormuz reabrirá em 2-3 dias; Israel foi atingido, reagiu e há trégua temporária.

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Trump anuncia acordo iminente com o Irã: Estreito de Hormuz reabrirá em 2-3 dias; Israel foi atingido e reagiu

Por Marco Severini, Espresso Italia — A diplomacia norte-americana avança em movimento decisivo no tabuleiro do Golfo: o presidente Donald Trump afirmou que as negociações com o Irã alcançaram as fases finais e que um acordo pode ser formalizado em “dois ou três dias”, com o consequente e imediato restabelecimento da navegação no Estreito de Hormuz.

Em declarações públicas após assistir a jogo das finais da NBA em Nova York, Trump descreveu o pacto como “um ótimo acordo” e reiterou a prioridade de Washington em assegurar a privação total do Irã de armas nucleares. Segundo o presidente, o atual cerco econômico a Teerã é preferível a uma opção militar, posição que ele resume como uma pressão estratégica destinada a minar os alicerces financeiros do programa nuclear iraniano.

Quanto à recente escalada entre Israel e o Irã, Trump defendeu a resposta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, afirmando que “ele foi atingido, revidou, e eu não posso culpá‑lo por isso”. Em tom de estadista, o presidente tratou o episódio como um choque táctico que, por ora, resultou em relativa estabilização: “ele foi atingido, contragolpeou e agora fizeram as pazes — deverão manter distensão por cerca de uma semana, mais ou menos”.

Em entrevista à Axios, Trump acrescentou que alguns ataques israelenses foram comunicados muito tardiamente aos Estados Unidos, facto que gerou fricções entre aliados. O presidente assegura que interveio para limitar o alcance das operações israelenses, por receio de que uma resposta expansiva comprometesse as negociações em curso com Teerã. Relatou também ter telefonado a Netanyahu com tom direto: ‘Bibi, farias bem em ter cuidado, caso contrário poderias ficar isolado rapidamente’ — frase que traduz a complexa dialética entre autonomia aliada e coordenação estratégica.

Enquanto Washington trabalha para formalizar um acordo que reconfigure, ainda que temporariamente, a tectônica de poder na região, Jerusalém sustentou postura diferente. Netanyahu, cuja ação recente dificultou os avanços rumo a uma trégua mais ampla, declarou que o fogo cessou temporariamente “porque, após atingirmos o regime terrorista em Teerã, ele deixou de nos atacar”; reafirmou o direito de autodefesa de Israel e justificou os ataques como necessários e proporcionais.

O quadro que se desenha é o de um redimensionamento das fronteiras invisíveis do poder: um acordo mediado por Washington poderia abrir uma janela de contenção no Estreito de Hormuz, ao mesmo tempo em que acentua a tensão política interna entre aliados. Em termos estratégicos, trata‑se de um movimento destinado a evitar a escalada, preservando — por meios econômicos e diplomáticos — a possibilidade de isolamento e desnuclearização do Irã.

Do ponto de vista geopolítico, permanecem questões cruciais: quão duradouro será o entendimento? Quais garantias serão exigidas para que Hormuz volte a operar de forma estável? E que impacto terão as divergências entre Washington e Jerusalém sobre a sustentação do acordo? São perguntas que só o desenrolar dos próximos dias esclarecerá, num jogo de xadrez onde cada peça moveu as linhas de influência regional.