Trump diz que acordo com o Irã pode estar próximo enquanto conflito se amplia no Oriente Médio

Trump diz que acordo com o Irã pode estar próximo; conflito se amplia com ataques, negociações no Paquistão e impacto nos preços do petróleo.

Trump diz que acordo com o Irã pode estar próximo enquanto conflito se amplia no Oriente Médio

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Trump diz que acordo com o Irã pode estar próximo enquanto conflito se amplia no Oriente Médio

Por Marco Severini — Enquanto os bombardeios entre Israel e o Irã prosseguem e Teerã responde com novos lançamentos de mísseis, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que um acordo com a República Islâmica pode estar “talvez próximo”. A declaração chega num momento em que o teatro de operações se expande e as linhas de influência regionais são redesenhadas.

Nos próximos dias, o Paquistão, atuando como mediador, receberá conversas indiretas entre Washington e Teerã — um movimento que, em termos de diplomacia, lembra um lance posicional no tabuleiro: negociações pela retaguarda enquanto a frente continua em ebulição.

O confronto, entretanto, segue em evolução. Os Houthis, do Iêmen, somaram-se no fim de semana passado às ações pró-Irã contra Israel, intensificando ataques que ampliam a multiplicidade de frentes. Em paralelo, Jerusalém anunciou a intenção de “ampliar a zona de segurança” no sul do Líbano, onde prosseguem os embates com o Hezbollah. O custo humano aumenta: civis continuam a ser vítimas e, nas últimas horas, um capacete azul indonésio da missão UNIFIL perdeu a vida no Líbano.

Na manhã de hoje, o Exército israelense disse ter respondido a um ataque de mísseis originado no Irã, horas depois de relatar, em canal oficial no Telegram, golpes contra alvos militares em Teerã. O dia anterior marcou relatos do Ministério da Energia iraniano sobre interrupções no fornecimento de energia na capital e arredores, atribuídas a raids contra infraestruturas elétricas — interrupções que, segundo a mídia local, já foram restabelecidas.

Em Washington, além de afirmar que um acordo pode estar se aproximando, a administração norte-americana, segundo o Wall Street Journal, está considerando opções de ação no terreno, inclusive operações para controlar estoques estratégicos, como urânio iraniano. Ao mesmo tempo, Trump busca moldar uma narrativa de vitória: disse que o objetivo de um “mudança de regime” teria avançado após a eliminação de vários nomes de topo do aparato iraniano e que agora os interlocutores seriam “pessoas diferentes, muito mais racionais”. Não detalhou quem seriam esses interlocutores.

Em sinal de distensão aparente, Teerã estaria se preparando para autorizar o trânsito de cerca de 20 petroleiros pelo Estreito de Hormuz nos próximos dias — um gesto com impacto direto nos fluxos energéticos globais. Esta rota concentra cerca de um quinto do fornecimento petrolífero mundial; o seu bloqueio havia feito disparar os preços: o Brent chegou a ser cotado em torno de US$115 o barril, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) recuperou-se acima dos US$100.

Ao mesmo tempo, a presença norte-americana na região permanece ambígua. Desde sexta-feira, uma embarcação de assalto anfíbio dos EUA encontra-se na área, à frente de um grupo naval com cerca de 3.500 marinheiros e marines, sinalizando a opção por capacidade de projétil de poder e deixando em aberto a possibilidade de operações terrestres.

Em suma, o confluir dessas movimentações — militares, diplomáticas e energéticas — desenha um cenário em que os alicerces da diplomacia estão em tensão. A alternância simultânea entre sinais públicos de negociação e preparativos militares configura uma tectônica de poder cujo desfecho permanece incerto; a jogada decisiva pode ainda não ter sido feita, e as próximas horas serão cruciais para definir se prevalecerá um acordo negociado ou um aprofundamento do conflito.