Trump ameaça retirada de tropas da Itália, Espanha e Alemanha após falta de apoio europeu
Trump ameaça retirar tropas da Itália, Espanha e Alemanha por falta de apoio europeu; reações de Berlim e tensão interna no Irã sobre Araghchi.
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Trump ameaça retirada de tropas da Itália, Espanha e Alemanha após falta de apoio europeu
Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, no tabuleiro da diplomacia, as linhas de influência entre Washington e seus aliados, o presidente Donald Trump abriu oficialmente a possibilidade de retirada das tropas americanas estacionadas na Itália e na Espanha, qualificando o retorno dos contingentes como "provável". A declaração surge no contexto das operações militares conduzidas pelos Estados Unidos em conjunto com Israel contra o Irã, desencadeadas em 28 de fevereiro pela administração norte-americana.
Na justificativa pública, Trump vinculou a eventual retirada à percepção de falta de cooperação por parte dos aliados europeus nas ações no Oriente Médio, condenando a lentidão do apoio e sublinhando uma visão cartográfica de responsabilidades: a crise na Ucrânia, afirmou, é um problema europeu "na porta de casa" e não deveria sacramentar a projeção contínua de meios americanos em teatros distantes.
O presidente não poupou críticas à NATO e estabeleceu um confronto direto com o chanceler alemão Friedrich Merz, censurando a condução interna da Alemanha em temas sensíveis como imigração e energia e as divergências estratégicas acerca da questão do programa nuclear iraniano. Para Trump, a falta de sintonia estratégica traduz-se em custos políticos e operacionais que justificariam uma retração.
Berlino reagiu com firmeza. O governo alemão descartou as observações do presidente americano como uma "política de ameaças grosseiras", avaliando que um eventual afastamento das forças estadunidenses comprometeria não apenas os aliados europeus, mas também os próprios interesses de segurança dos Estados Unidos — uma contradição evidente entre retórica e alicerces reais da cooperação transatlântica.
No mesmo cenário regional, o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, atacou publicamente as estimativas do Pentágono sobre os custos da guerra iniciada com Israel, afirmando que a aposta do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já custou aos Estados Unidos, segundo seus cálculos, cerca de 100 bilhões de dólares — quatro vezes superior à cifra oficial - e que os custos indiretos estariam a elevar a conta mensal de cada família americana em aproximadamente 500 dólares.
Araghchi também manteve contato telefônico com a alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, para discutir a situação regional e outras questões internacionais, segundo relato de Teerã. Paralelamente, crescem as tensões internas em torno da figura do chanceler iraniano: fontes ligadas à diáspora e à imprensa independente afirmam que altos funcionários, incluindo o presidente Masoud Pezeshkian e o presidente do Parlamento Mohammad Bagher Ghalibaf, cogitam a demissão de Araghchi por suposto alinhamento excessivo com as posições do comando das Guardas Revolucionárias.
Essas fricções internas, somadas às declarações de Washington e às reações europeias, desenham uma tectônica de poder em movimento, onde cada pronunciamento político funciona como uma peça em deslocamento sobre um tabuleiro de xadrez geopolítico. A possível saída de tropas americanas da Itália e da Espanha não é apenas um gesto operacional: é um sinal estratégico que pode reconfigurar alianças, expor fragilidades e obrigar aliados a reconstruírem, em arquitetura diplomática, os alicerces da cooperação transatlântica.