Trump avalia nova onda de ataques ao Irã; Teerã acusa EUA de exigências excessivas
Trump avalia novos ataques ao Irã; Teerã acusa os EUA de exigências excessivas enquanto negociações diplomáticas seguem estagnadas.
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Trump avalia nova onda de ataques ao Irã; Teerã acusa EUA de exigências excessivas
Por Marco Severini — Em um movimento que reflete a tensão crescente no tabuleiro estratégico do Oriente Médio, o presidente Donald Trump considera seriamente a possibilidade de ordenar novos ataques contra o Irã, salvo se houver uma reviravolta de última hora nas negociações. A avaliação foi relatada pelo site Axios, que cita dois funcionários norte-americanos próximos ao processo.
Ao longo da manhã de sexta-feira, o presidente convocou uma reunião com os principais integrantes de sua equipe de segurança nacional para discutir a situação. O encontro ocorreu enquanto o chefe das forças armadas paquistanesas, Asim Munir, seguia para Teerã em uma tentativa aparente de mídia e diplomacia para desanuviar as diferenças e evitar a escalada do conflito.
Fontes norte-americanas descrevem os diálogos como "agonizantes": rascunhos de acordos que transitam de um lado ao outro sem avanços decisivos. Os pontos de choque permanecem, em especial, o dossiê nuclear e o nível de enriquecimento de urânio que seria tolerado. A essência do impasse é política e estratégica — demandas consideradas por Teerã como inaceitáveis e por Washington como não negociáveis.
Os meios de comunicação iranianos relataram que Teerã acusa os Estados Unidos de formular "exigências excessivas". Segundo o Ministério das Relações Exteriores iraniano, o país permanece engajado no processo diplomático, apesar dos "repetidos fracassos da diplomacia" e da pressão militar sofrida. Em telefonema com o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, o ministro iraniano Abbas Araghchi reiterou o compromisso de Teerã com a via diplomática, ainda que circundado por posições contraditórias.
Além de Asim Munir, uma delegação do Qatar chegou a Teerã na sexta-feira para reforçar esforços de mediação. Munir tem encontro previsto com o general Ahmad Vahidi, comandante do Corpo dos Guardas Revolucionários islâmicos — figura central no processo decisório iraniano. Fontes citadas pela Axios e pela CBS News indicam que a administração americana também prepara, em plano, uma nova onda de operações militares, ainda sem decisão final tomada.
O momento político nos Estados Unidos intensifica a incerteza: Trump retornou à Casa Branca e alterou sua agenda pessoal, suspendendo compromissos privados e eventos sociais, enquanto altos oficiais militares e civis ajustaram seus programas diante do fim de semana do Memorial Day.
Paralelamente, Teerã acusa Washington de ter precipitado o colapso das negociações da Conferência de Revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), segundo relatos da emissora Al Jazeera e declarações da missão iraniana junto à ONU. O resultado foi o fracasso da conferência revisional pela terceira vez — um sintoma da erosão dos alicerces da diplomacia multilateral.
Este é um momento de tectônica de poder: enquanto diplomatas trocam propostas e recuos, estrategistas em Washington contemplam a possibilidade de um movimento decisivo no tabuleiro. A opção militar permanece como instrumento último, mas presente — uma sombra que molda a arquitetura das negociações e obriga interlocutores a repensar riscos e ganhos em longo prazo.
Em suma, o cenário permanece volátil. Sem uma solução negociada imediata, a chance de escalada militar persiste, e cada ida e volta nas propostas reconfigura, de maneira incremental, as fronteiras invisíveis da influência regional.