Trump diz a Netanyahu que mediadores trabalham em carta de intenções entre EUA e Irã para pôr fim à guerra

Mediadores preparam carta de intenções entre EUA e Irã; Paquistão facilita diálogos e Khamenei proíbe exportação de urânio altamente enriquecido.

Trump diz a Netanyahu que mediadores trabalham em carta de intenções entre EUA e Irã para pôr fim à guerra

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Trump diz a Netanyahu que mediadores trabalham em carta de intenções entre EUA e Irã para pôr fim à guerra

Por Marco Severini — Em um movimento que lembra uma jogada calculada no tabuleiro geopolítico, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que mediadores estão elaborando uma carta de intenções que tanto os EUA quanto o Irã poderiam assinar para formalizar o fim do conflito e instaurar um período inicial de negociações de 30 dias. A informação foi relatada a Axios por uma fonte norte-americana.

Segundo fontes iranianas e declarações oficiais, Teerã recebeu uma nova proposta americana e encontra-se em processo de análise. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, confirmou que os pontos de vista da parte americana foram recebidos e estão sendo examinados, acrescentando que a presença do ministro do Paquistão, país que atua como mediador, em visita a Teerã tem o propósito explícito de facilitar a troca de mensagens entre as partes.

Baqaei reiterou demandas iranianas que figuram entre as condições para um cessar-fogo, incluindo o descongelamento de ativos iranianos no exterior e a cessação do bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos. Essas exigências representam pilares sensíveis na arquitetura das negociações, apontando para alicerces que permanecem frágeis enquanto não houver confiança mútua.

Em paralelo, a Guia Suprema iraniana, Mojtaba Khamenei, emitiu uma diretiva proibindo o envio ao exterior de urânio altamente enriquecido, endurecendo a posição de Teerã sobre um dos pontos centrais reclamados por Washington nas conversações de paz. Fontes de alto escalão citadas pela Reuters indicam que a ordem de Khamenei pode agravar as tensões com o presidente americano e complicar um acordo que passe pela garantia da remoção dessas reservas.

Funcionários israelenses, em relatos à mesma agência, afirmaram que Trump garantiu a Israel que os estoques de urânio altamente enriquecido — elemento que suscita preocupações quanto à potencial fabricação de armas nucleares — seriam transferidos para fora do território iraniano, e que qualquer eventual pacto de paz incluiria cláusula nesse sentido.

Enquanto as peças se movem nesse xadrez diplomático, crescem as apreensões sobre as consequências econômicas globais. O comissário europeu para a Economia, Valdis Dombrovskis, advertiu que o risco de um cenário econômico adverso vem aumentando, à luz do conflito em curso e do bloqueio do Estreito de Hormuz. Em apresentação das previsões económicas de primavera da Comissão Europeia, Dombrovskis explicou que as análises consideraram dois pontos de corte — 28 de abril e 4 de maio — para modelar hipóteses externas e medidas governamentais.

“Não há, até agora, uma solução óbvia para o conflito no Médio Oriente; o Estreito permanece bloqueado e a janela para a normalização dos fluxos de abastecimento está a estreitar-se”, enfatizou o comissário, alertando para a possibilidade de um choque prolongado nos preços da energia, que poderia redesenhar fronteiras invisíveis na economia global.

O quadro atual combina diplomacia de bastidores e decisões com efeito estratégico: cada passo, cada diretiva e cada mensagem intermediada pelo Paquistão fazem parte de um movimento decisivo no tabuleiro, onde a estabilidade das relações de poder e a gestão prudente dos riscos energéticos ditarão a sustentabilidade de qualquer acordo.