Crise no núcleo do poder: após Bondi, Trump avalia nova rodada de demissões na administração

Após a saída de Pam Bondi, Trump considera novas demissões na administração; nomes como Lutnick, Chavez-DeRemer, Gabbard e Patel estariam em risco.

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Crise no núcleo do poder: após Bondi, Trump avalia nova rodada de demissões na administração

Por Marco Severini — O afastamento da procuradora-geral Pam Bondi parece ter desencadeado um movimento de reconfiguração no núcleo do poder da Casa Branca, com membros do governo sendo listados como potenciais alvos de demissão. A dinâmica lembra um meio-jogo em que cada peça retirada altera o equilíbrio do tabuleiro político.

Fontes citadas pelo Politico sugerem que o presidente Donald Trump está descontente com o desempenho do secretário do Comércio, Howard Lutnick, e da secretária do Trabalho, Lori Chavez-DeRemer. "Ele está muito irritado e removerá outras pessoas", afirmou um integrante da administração ao veículo americano. Ainda não há decisão final, mas a tensão é palpável.

A vice-porta-voz da Casa Branca, Taylor Rogers, tratou de minimizar os rumores, declarando que ambos estão "fazendo um grande trabalho a serviço dos americanos" e que continuam a ter o apoio do presidente. No entanto, a história recente mostra que elogios públicos podem coexistir com manobras internas que visam reposicionar lealdades e consolidar controle.

Segundo interlocutores internos, Howard Lutnick estaria em situação precária: defensor convicto de políticas tarifárias protecionistas, teria se isolado politicamente dentro do governo e perdido simpatia em Wall Street. Seu nome volta a ser citado em conexão com as relações com Jeffrey Epstein, o financista condenado e morto em 2019, um fator que levou a pedidos bipartidários no Congresso por sua renúncia — pedidos que, até agora, o presidente rejeitou.

Mais vulnerável ainda, na leitura das fontes, aparece Lori Chavez-DeRemer. Ela é alvo de investigações por supostas despesas irregulares vinculadas a eventos com sua equipe, viagens pessoais e férias além do permitido, além de acusações de relacionamento extraconjugal com um colaborador — circunstância que, no passado recente, contribuiu para a queda de outra figura, Kristi Noem, após revelações relativas ao seu assessor Corey Lewandowski.

O quadro se amplia: o Guardian indica que a chefe da inteligência americana, Tulsi Gabbard, também estaria prestes a deixar o cargo. A raiz dessa articulação seria uma audiência ao Congresso na qual Gabbard não condenou publicamente certas declarações de Joe Kent, figura que se envolveu em controvérsias ao acusar o presidente de provocar um conflito com o Irã sem evidências de ameaça nuclear. A fidelidade demonstrada por Gabbard a Trump, paradoxalmente, pode não ser suficiente para preservar sua posição.

Outro nome que aparece nas listas de risco é o diretor do FBI, Kash Patel. Acusações de uso indevido do jato da agência para viagens pessoais com sua parceira e o episódio do endereço de e-mail privado supostamente hackeado por atores iranianos trouxeram à tona imagens que circulam na internet — vídeos de Patel fumando charutos e dançando em quartos de hotel — material que, embora não revele segredos de Estado, desgasta politicamente uma figura já controversa. The Atlantic sugere que sua saída pode ocorrer nas próximas semanas.

Além desses, o secretário das Forças Armadas, Dan Driscoll, há meses tratado como uma promessa dentro do establishment, também aparece nos cenários de substituição. O padrão que se desenha é o de uma limpieza seletiva: não se trata apenas de punir erros, mas de redesenhar linhas de lealdade e de influência dentro de uma administração cuja estabilidade depende tanto de aparências quanto de alianças estratégicas.

Na arquitetura do poder, cada demissão é um movimento calculado que altera vulnerabilidades e fortalezas. A decisão de remover peças-chave tem implicações sobre a governabilidade, as relações com o Congresso e a percepção dos mercados e aliados internacionais. Em Brasília ou Washington, o resultado final desse jogo dependerá da capacidade de quem comanda o tabuleiro de antever reações e compensar perdas políticas com ganhos estratégicos.