Trump: 'Será grande acordo ou nada' — Negociações com o Irã avançam, mas intesa ainda não é iminente

Negociações EUA-Irã avançam em Doha; Trump condiciona assinatura e Teerã diz que acordo não é iminente. Progresso em fundos e urânio.

Trump: 'Será grande acordo ou nada' — Negociações com o Irã avançam, mas intesa ainda não é iminente

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Trump: 'Será grande acordo ou nada' — Negociações com o Irã avançam, mas intesa ainda não é iminente

Por Marco Severini — Em um movimento que redesenha, com cautela, os contornos do tabuleiro geopolítico, a possibilidade de um acordo entre os Estados Unidos e o Irã ganhou nova tração nas últimas horas. O secretário de Estado americano em deslocamento, Marco Rubio, manifestou otimismo: segundo ele, um entendimento capaz de reabrir o Estreito de Ormuz e restaurar a navegação comercial poderia concretizar-se em breve. Em oposição, fontes iranianas pedem moderação nas expectativas, afirmando que, embora existam progressos, um pacto final não é iminente.

Rubio, em visita a Nova Deli, disse ao New York Times que há sobre a mesa "uma proposta bastante sólida" em termos de capacidade operativa para reabilitar o tráfego no estreito vital. Mas salientou, com vocabulário de estrategista, que um acordo sobre o dossier nuclear não se constrói "em 72 horas, improvisando". A seu ver, entre sete e oito países regionais apoiam a aproximação, o que confere ao processo uma base de sustentação multilateral. Ele também reiterou que o presidente Donald Trump não aceitará assinar um "acordo ruim".

Enquanto isso, uma delegação iraniana de alto nível seguiu para Doha para prosseguir diálogos que, segundo fontes consultadas pela AFP, incluem o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi. Integra a comitiva o governador do Banco Central, Abdolnaser Hemmati, encarregado de negociar a questão dos fundos congelados — elemento central do memorando de entendimento que poderia integrar um eventual acordo final.

O escopo das conversações, conforme informado por interlocutores iranianos, contempla tanto medidas práticas para pôr fim às hostilidades em diversos frontes — inclusive no Líbano — quanto disposições relativas ao estoque de urânio altamente enriquecido. O diplomata iraniano Hossein Nooshabadi afirmou à agência ISNA que "foram alcançados progressos em muitas frentes, mas um acordo de paz não é iminente" e refutou alegações sobre compromissos irrecuperáveis, como uma suposta suspensão de enriquecimento por vinte anos, qualificando tais rumores como "mentira absoluta".

Na retórica pública, o presidente Trump sintetizou a posição norte-americana: ou um "grande acordo" que satisfaça interesses estratégicos e de segurança, ou nenhuma assinatura. Nos bastidores, mediadores paquistaneses buscam consolidar apoio internacional e chegaram a envolver Pequim nas conversações, ampliando o eixo de influência e transformando o processo em uma partida diplomática de múltiplas peças.

Do ponto de vista pragmático, o sucesso de qualquer entendimento dependerá de três alicerces: garantias de segurança para a livre navegação no Estreito, mecanismos verificáveis sobre o material nuclear e soluções financeiras que permitam ao Irã acesso controlado a ativos internacionais. Cada um desses pontos funciona como uma torre numa posição de xadrez — se uma falha ocorrer, toda a configuração fica vulnerável.

Por enquanto, a cena permanece de espera ativa: negociações em Doha, sinais de apoio regional e recados firmes de Washington. O processo evolui como um movimento decisivo no tabuleiro, com claros ganhos potenciais para a estabilidade regional, mas com fragilidades internas e comunicacionais dentro do sistema político iraniano que podem retardar a consumação do acordo.

Em suma, há um desenho de solução sobre a mesa, apoiado por múltiplos atores, porém a assinatura de um pacto abrangente exigirá passos cuidadosamente arquitetados — e tempo, algo que nem sempre está disponível quando se joga em escala global.