Von der Leyen destaca avanços nas rotas migratórias, mas alerta para pontos críticos no eixo Mediterrâneo-África

Von der Leyen aponta progressos nas rotas migratórias para a UE, com quedas nos fluxos, mas alerta para áreas críticas e reforça parcerias com Norte de África.

Von der Leyen destaca avanços nas rotas migratórias, mas alerta para pontos críticos no eixo Mediterrâneo-África

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Von der Leyen destaca avanços nas rotas migratórias, mas alerta para pontos críticos no eixo Mediterrâneo-África

Por Marco Severini — Em carta dirigida aos líderes da União Europeia na véspera do Conselho Europeu, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, apresenta um quadro de avanços substanciais nas principais rotas migratórias rumo à Europa, sem, contudo, dissipar preocupações estratégicas que ainda exigem atenção contínua e cooperação reforçada.

Segundo os dados de Bruxelas, os arrivos irregulares registraram quedas expressivas na maior parte dos corredores: -52% no Mediterrâneo Central, -71% na rota atlântica e -97% nas fronteiras terrestres orientais. Também foram observadas reduções nas partidas pelo Canal da Mancha (-40%), enquanto a rota do Mediterrâneo Ocidental manteve estabilidade, com leve acréscimo de 8%.

Um capítulo central da análise é dedicado à Líbia, identificada como o principal país de partida para a Itália. Bruxelas confirma diminuição dos fluxos a partir da Líbia na primeira metade de 2026, mas ressalta que o compromisso europeu com Trípoli permanece imprescindível. A Comissão recorda o apoio financeiro e operacional já prestado para o reforço da gestão fronteiriça, operações de busca e salvamento (SAR), combate aos traficantes e proteção dos direitos dos migrantes. Em conjunto com as autoridades líbias e a IOM (Organização Internacional para as Migrações), a UE tem promovido repatriações voluntárias e programas de assistência aos retornos.

Von der Leyen chama a atenção para o aumento de chegadas da Líbia oriental com destino à Grécia e destaca a iniciativa East Corridor, que reúne UE, organizações internacionais e Estados desde o Sul da Ásia até a Europa para enfrentar os desafios ao longo de toda a rota nos próximos 12 meses — uma operação concebida para redesenhar, com prudência, os alicerces da gestão migratória regional.

Outra frente importante é a Túnisia, onde a UE mantém um apoio multifacetado: gestão de fronteiras, combate ao tráfico de migrantes, proteção, criação de vias legais e repatriamentos voluntários. Bruxelas anunciou a entrega de três novas embarcações SAR à Guarda Costeira tunisina e lembrou que, desde 2023, os arrivos irregulares da Tunísia para a Itália caíram 97%.

A IOM facilitou 8.853 repatriados voluntários em 2025 e mais de 2.000 em 2026; retornos assistidos de países norte-africanos para os países de origem superaram 35.800 em 2025 e 12.000 desde o início do ano. Von der Leyen também realça progressos com Marrocos e Argélia. Com Rabat, a cooperação abrange gestão fronteiriça, combate ao crime organizado, vias legais e o Talent Partnership, e um novo programa de apoio orçamentário para migração deve ser assinado ainda este ano. Com Argel, a UE procura intensificar o diálogo sobre retornos, readmissões e luta ao tráfico, com encontro informal iminente.

Na leitura diplomática que proponho, trata-se de um movimento decisivo no tabuleiro: a estratégia europeia — baseada em parcerias recíprocas e vantajosas — demonstra eficácia nos índices, mas permanece vulnerável a choques e volatilidades. A redução dos fluxos comprova resultados táticos; o desafio estrutural requer coordenação sustentada, investimentos e salvaguardas dos direitos humanos para que os ganhos não sejam efêmeros.

Em suma, a mensagem de von der Leyen é de realismo prudente: há progressos mensuráveis, mas os alicerces da diplomacia e da ação operacional precisam ser consolidados para sustentar um redesenho duradouro das zonas de influência migratória ao longo do Mediterrâneo e do Magrebe.