Zurich revela relatório 'The Value of Chronic Care': gestão da cronicidade em 38 países da OCDE avaliada
Relatório Zurich avalia gestão da cronicidade em 38 países OCDE; aponta prevenção, coordenação e integração como chaves para melhores resultados.
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Zurich revela relatório 'The Value of Chronic Care': gestão da cronicidade em 38 países da OCDE avaliada
Por Marco Severini — Em uma análise que redesenha, de forma quase cartográfica, as linhas de força da saúde pública global, a Zurich Insurance Group publicou o relatório The Value of Chronic Care, avaliando a capacidade dos sistemas de saúde de 38 países da OCDE para enfrentar a crescente carga das doenças crônicas. O estudo abrange mais de 200 patologias de longa duração e introduz um novo índice que mensura a preparação dos sistemas para gerir o impacto prolongado dessas condições.
Com a serenidade de um diplomata no tabuleiro, o relatório demonstra que os resultados não estão simplesmente atrelados ao volume de despesa em saúde, mas sim à qualidade da organização, ao coordenação entre serviços e à continuidade da assistência. Em outras palavras: dois Estados com recursos semelhantes podem obter performances muito distintas se a arquitetura das suas políticas for frágeis ou, ao contrário, bem desenhada.
Alison Martin, CEO Life, Health and Bank Distribution da Zurich Insurance Group, sintetiza a urgência estratégica: "As pessoas vivem mais, mas muitas vezes convivem com patologias crônicas que afetam saúde, emprego e situação financeira. Os sistemas de saúde devem evoluir: prevenção, intervenções precoces e uma ponte eficaz entre setores público e privado são fundamentais para manter as pessoas saudáveis, produtivas e resilientes financeiramente". Esta afirmação indica um movimento decisivo no tabuleiro da saúde pública: deslocar o foco do tratamento reativo para a prevenção e a gestão integrada.
O relatório identifica as doenças cardiovasculares, os cânceres e os transtornos de saúde mental como vetores centrais da perda de anos de vida em boa saúde — ambos, cânceres e doenças cardiovasculares, respondendo por cerca de 21% dessa perda nos países da OCDE. Isso reforça a necessidade de políticas que atuem precocemente e ao longo de todo o percurso do cuidado.
Entre as conclusões mais relevantes está a constatação de que sistemas focados primordialmente em emergências e na gestão de episódios agudos ficam em desvantagem frente às necessidades da cronicidade, que exigem percursos contínuos, integrados e coordenados entre níveis de atenção. O relatório aponta claramente os países que melhor se alinham a essa visão: Suíça, Países Baixos, Luxemburgo, Noruega e Coreia do Sul figuram entre os líderes — enquanto Letônia, Lituânia, Grécia, Polônia e Hungria ocupam as posições finais.
Da perspectiva de estratégia pública, a mensagem é clara: a eficácia reside na coordenação entre atenção primária, cuidados de longo prazo e conexões público-privadas, assim como na adoção de modelos que privilegiem a prevenção e intervenções precoces. São movimentos que, no tabuleiro das políticas, podem reforçar os alicerces da estabilidade social e econômica, reduzindo a pressão sobre os sistemas e preservando a capacidade produtiva das populações.
Para governos e gestores, o relatório funciona como um mapa de riscos e oportunidades — uma cartografia estratégica que indica onde investir em melhorias organizacionais, fluxos de dados, capacitação e incentivos para modelos integrados de cuidado. Em última instância, a evolução da gestão da cronicidade será determinante para a resiliência das economias e para a equidade dos próprios sistemas de saúde.
O documento da Zurich, portanto, não é apenas um inventário de falhas e méritos: é um chamado à remodelação das políticas de saúde, um convite a mover peças no tabuleiro com precisão — priorizando prevenção, continuidade e coordenação — para transformar a longevidade em qualidade de vida sustentável.