Ação coletiva exige R$100 mi de Fraport por desmatamento da Mata Atlântica em Fortaleza
Ação coletiva pede R$100 mi contra Fraport por desmatamento da Mata Atlântica perto do aeroporto de Fortaleza; processo tramita na 7ª Vara Federal do Ceará.
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Ação coletiva exige R$100 mi de Fraport por desmatamento da Mata Atlântica em Fortaleza
Uma ação judicial foi movida contra Fraport AG, controladora do aeroporto internacional de Fortaleza, após denúncias de danos ambientais graves. Na quarta-feira, 18 de março, a vereadora de Fortaleza Gabriel Biologia protocolou uma ação coletiva exigindo R$100 milhões (aprox. €16,5 milhões) em reparações por prejuízos causados ao meio ambiente e às comunidades locais.
Segundo a peça inicial, há indícios de irregularidades e ilegalidades no desmatamento de área ao redor do aeroporto, que estaria sendo suprimida para dar lugar a um grande galpão logístico. A ação aponta que o empreendimento viola o plano original aprovado no processo de concessão coordenado pela ANAC e contém "graves vícios" no processo de autorização ambiental.
O documento judicial acusa também órgãos públicos de terem sido coniventes, permitindo a derrubada de trechos da Mata Atlântica — um dos hotspots mundiais de biodiversidade — e causando impactos diretos à fauna, à flora e às comunidades vizinhas. Estima-se que mais de 60 acres da Mata Atlântica tenham sido suprimidos para abrigar o almoxarifado logístico, segundo a ação.
Para a autora do processo, não se trata apenas de uma obra sem autorização: é possivelmente "o maior crime ambiental" testemunhado por Fortaleza na última década. "Nossa ação visa garantir a recuperação da floresta e responsabilizar quem permitiu que esse dano ocorresse", declarou Gabriel Biologia, em afirmação encaminhada à Espresso Italia.
Hannah Lawrence, porta-voz do movimento Stay Grounded, disse em contato com a Espresso Italia que o caso expõe a injustiça estrutural por trás das expansões do setor aéreo: "Multinacionais, guiadas pelo lucro, destroem comunidades e ecossistemas, transferindo os custos ambientais às populações locais". A declaração reforça a crítica de que poucos acionistas se beneficiam enquanto comunidades como as de Fortaleza arcam com o prejuízo.
A ação está em tramitação na 7ª Vara Federal do Ceará e aguarda análise da Justiça. A reportagem da Espresso Italia entrou em contato com a Fraport AG em busca de posicionamento, sem retorno até a publicação.
Mais do que um litígio, este caso ilumina uma tensão maior: como conciliar desenvolvimento logístico com a proteção de biomas essenciais? Há um chamado claro para que o processo legal não só busque reparações financeiras, mas também promova a restauração da Mata Atlântica e a reparação social das comunidades afetadas. É momento de semear práticas que preservem nosso horizonte comum, trazendo luz sobre decisões que moldam o legado ambiental das próximas décadas.