Energia geotérmica: a virada necessária — vantagens, custos e riscos dos novos sistemas para o Brasil e a Itália

Geotermia em foco: vantagens, custos e riscos das novas tecnologias e o que muda com ações da UE e medidas na Itália.

Energia geotérmica: a virada necessária — vantagens, custos e riscos dos novos sistemas para o Brasil e a Itália

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Energia geotérmica: a virada necessária — vantagens, custos e riscos dos novos sistemas para o Brasil e a Itália

O recente achado de enormes reservatórios magmáticos sob a Toscana reacendeu o debate sobre o papel da geotermia no sistema energético europeu e mundial. Lembramos que tudo começou em Larderello (Pisa), onde a primeira usina de energia geotérmica do planeta entrou em operação em 1913. Ainda assim, a descoberta de corpos magmáticos comparáveis aos que alimentam supervulcões como o Parque Nacional de Yellowstone surpreendeu até mesmo especialistas, iluminando um horizonte de possibilidades — e desafios — que precisamos enfrentar com clareza.

Na sua essência, a geotermia permite produzir eletricidade sem combustíveis fósseis, aquecer e resfriar edifícios com bombas de calor e distribuir calor por meio de teleriscaldamento. Além disso, oferece oportunidades industriais: extração de minerais críticos como o lítio, peça-chave para baterias de veículos elétricos, e usos industriais e agrícolas que variam desde secagem de alimentos até estufas e processos de pasteurização.

O atual contexto geopolítico — com o conflito no Médio Oriente e a urgência de reduzir dependências energéticas da Europa — junto ao renascimento do interesse de líderes como a presidente da UE, Ursula von der Leyen, podem impulsionar a expansão da energia geotérmica. Hoje, porém, a fonte representa apenas cerca de 0,5% da eletricidade renovável na União Europeia, o que mostra tanto o potencial de crescimento quanto os obstáculos a serem superados.

É importante distinguir usos e tecnologias. No uso direto, entram o teleriscaldamento, as bombas de calor e aplicações termais e industriais — normalmente alimentadas por sistemas de baixa ou média entalpia (entre 50 e 150°C), a profundidades entre dezenas e alguns milhares de metros. No uso indireto, voltado para produção elétrica e extração de minerais, requerem-se temperaturas acima de 100–150°C e perfurações que podem ultrapassar 2–3 km.

Historicamente, a geotermia explorou sistemas tradicionais a circuito aberto (open loop), nos quais se extraem fluidos quentes de reservatórios naturais. Para isso são necessários não só calor, mas também presença de água no subsolo e permeabilidade adequada das rochas. "O fluido da formação contém líquido — que é reinjetado — e vapor que aciona a turbina para gerar energia", explica à Espresso Italia a geofísica e pesquisadora sênior Adele Manzella. Essas condições favoráveis, contudo, não estão presentes em todos os territórios.

As novas gerações tecnológicas — incluindo sistemas aprimorados como os EGS (Enhanced Geothermal Systems), laços fechados, geotermia profunda e campos de rocha superquente — ampliam o leque, mas vêm com custos elevados, incertezas técnicas e potenciais riscos ambientais. Entre os principais riscos estão a sismicidade induzida por perfurações e reinjeção de fluidos, contaminação de aquíferos e impactos locais associados às obras de grande porte.

Na Itália, medidas recentes do Ministério do Ambiente e da Segurança Energética simplificaram autorizações para a geotermia de baixa entalpia (abaixo de 90°C), um passo pragmático para acelerar usos térmicos urbanos e rurais. Em nível europeu, está prevista a publicação, em 19 de maio, do European Geothermal Action Plan, que deverá mapear diretrizes e financiamento para integrar a energia geotérmica na transição energética.

O balanço é claro: a geotermia pode ser uma lâmpada estável no mix energético — uma fonte de calor contínua, com baixos gases de efeito estufa ao longo do ciclo de vida — mas sua expansão exige conhecimento geológico local, regulamentos eficientes, diálogo com comunidades afetadas e investimentos pesados em pesquisa e monitoramento.

Como curadora de progresso, acredito que devemos semear inovação com responsabilidade: apoiar projetos que respeitem o território, priorizar tecnologias maduras para aquecimento urbano e pesquisa para tornar viáveis as soluções de alta entalpia onde houver potencial real. Assim, podemos iluminar novos caminhos para um futuro energético mais resiliente, sem promessas vazias, mas com projetos concretos que deixem um legado positivo para as próximas gerações.