Governo enfraquece o papel técnico da Ispra no DDL da caça; trabalhadores denunciam silêncio inaceitável
Governo transforma pareceres do Ispra em consultivos no ddl caça; trabalhadores denunciam silêncio e risco às diretrizes europeias.
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Governo enfraquece o papel técnico da Ispra no DDL da caça; trabalhadores denunciam silêncio inaceitável
Por Aurora Bellini — A trama política que circunda o Instituto Superior para a Proteção e a Pesquisa Ambiental (Ispra) ganhou um novo capítulo que revela um enfraquecimento institucional com consequências práticas para a proteção da natureza. O governo, que pela primeira vez colocou à frente do órgão uma figura de origem política, agora formaliza no ddl caccia uma série de mudanças que transformam pareceres técnicos antes vinculantes em meros pareceres consultivos. Para os trabalhadores e especialistas, trata-se de um verdadeiro depotenziamento do instituto.
Em carta pública enviada à presidente do Ispra, Alessandra Gallone (ex-senadora pelo Forza Italia), e à diretora-geral, Maria Siclari, a Unione sindacale di Base (USB) exigiu que a direção interrompa o silêncio e defenda o papel técnico-científico do instituto. A crítica da categoria veio após vir à tona — em documentos referidos pela Espresso Italia — uma notificação da Commissione Ue, enviada em dezembro, onde são expressas sérias preocupações sobre a compatibilidade do texto com as Direttive europee e com pareceres científicos que sustentam as normas comunitárias.
Apesar do alerta europeu, a carta ficou nos arquivos e o trâmite do projeto seguiu sem ruído até que, em 14 de maio, o texto foi aprovado nas comissões de Agricultura e Ambiente do Senado. O ponto mais sensível está no artigo 11, relativo aos calendari venatori, que passa a autorizar que decisões sobre autorizações de caça e derrogações possam ser tomadas mesmo em desacordo com os pareceres técnicos do Ispra. Em termos práticos, isso abre espaço para prorrogações de temporada — incluindo movimentos para estender a caça após a primeira década de fevereiro — e para decisões regionais que podem conflitar com a Direttiva Uccelli.
Gianluca Leone, da USB Ricerca, destaca que “a missiva da Comissão Europeia contém rilievi muito gravi ao ddl, incluindo a denúncia do svilimento do papel técnico-scientífico do Ispra”. O que indigna os trabalhadores é, sobretudo, o silêncio institucional: a cópia da carta foi recebida pela diretora-geral em 18 de dezembro de 2025, mas permaneceu oculta ao público e ao próprio pessoal do instituto por quase cinco meses, enquanto o projeto seguia seu percurso parlamentar sem qualquer pronunciamento oficial do Ispra.
Esse silêncio, segundo a USB, é “inaceitável”. A ausência de manifestação pública de um órgão técnico cujo trabalho orienta políticas ambientais e zela pelo cumprimento de diretivas europeias representa um apagamento de luz num momento em que se precisa, mais do que nunca, iluminar novos caminhos para a gestão sustentável do território e da biodiversidade.
Mais que uma crítica institucional, o episódio revela um dilema democrático: como proteger conhecimentos técnicos quando decisões políticas os transformam em mera consultoria? É hora de semear um debate transparente, em que o Ispra recupere seu papel técnico e contribua para políticas de caça compatíveis com a ciência e com os compromissos europeus. Aguardamos, com a serenidade ativa que orienta a transformação responsável, que a presidência e a direção-geral deem voz aos especialistas e recuperem o protagonismo institucional que a proteção ambiental exige.