Bank of England substituirá rostos históricos por animais nas notas de libra: biodiversidade vira identidade nacional
Bank of England troca retratos por animais nas notas de libra, valorizando a fauna britânica e atualizando segurança contra falsificação.
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Bank of England substituirá rostos históricos por animais nas notas de libra: biodiversidade vira identidade nacional
Por Aurora Bellini — A Bank of England anunciou que a próxima série de notas de libra (5, 10, 20 e 50) trará a fauna britânica no verso, no lugar dos retratos de personalidades que decoram as cédulas há mais de meio século. Na frente, contudo, continuará a constar a efígie do Rei Carlos.
O movimento marca uma guinada simbólica: a iconografia introduzida em 1970, quando o retrato de William Shakespeare passou a integrar as notas, cederá espaço à natureza do país. Atualmente, os valores em circulação ostentam nomes como Winston Churchill, Jane Austen, Joseph Mallord William Turner e Alan Turing. Na nova série, esses rostos serão substituídos por espécies nativas que representam a riqueza da biodiversidade do Reino Unido.
A instituição explicou que a alteração não é apenas estética. Uma consultação pública finalizou o processo com uma clara preferência dos cidadãos por imagens da natureza, e a renovação das notas também responde a necessidades técnicas de anti-falsificação. Segundo a Bank of England, a atualização dos elementos visuais é inevitável para incorporar recursos de segurança modernos — o que tornaria a presença de figuras históricas insustentável em qualquer renovação.
Como curadora de histórias que iluminam caminhos, enxergo nessa mudança um gesto de revalorização do território: sem apagar legados, escolhe-se semear outra narrativa identitária, aquela que celebra solo, mar e ar — os alicerces vivos de uma nação. A troca de rostos por fauna é, ao mesmo tempo, técnica e poética; uma forma de traduzir patrimônio natural em cidadania tangível.
Mas a decisão desencadeou um debate político acalorado. Figuras da direita criticaram a medida: a líder conservadora Kemi Badenoch qualificou a ideia como “algo bobo”, e o soberanista Nigel Farage a tratou como “uma loucura woke”. Em contrapartida, uma parente de Winston Churchill desacelerou a polêmica, afirmando que não via problema na mudança — uma atitude que acalmou parte dos ânimos.
Do ponto de vista simbólico, a opção por animais remete à construção de uma identidade coletiva menos centrada em figuras heroicas individuais e mais enraizada no patrimônio comum. É um gesto que ilumina novos caminhos para o orgulho nacional: valorizar o que sustenta a vida cotidiana, do litoral às áreas rurais, passando por bosques e estuários.
Do ponto de vista prático, a introdução de imagens de fauna nativa também abre espaço para campanhas educativas sobre conservação, ligação comunitária com espécies locais e até projetos de sustentabilidade que conectem bancos, museus e parques naturais. Em outras palavras, a mudança pode ser semente para políticas públicas e iniciativas privadas que tecem laços mais fortes entre pessoas e natureza.
Resta saber quais animais serão escolhidos para cada valor e como será a recepção popular quando as novas notas entrarem em circulação. A mudança é uma pequena revolução visual — um raiar discreto que, se bem conduzido, pode iluminar um horizonte límpido de consciência ambiental e memória compartilhada.
Em um tempo em que símbolos são disputados, a aposta em fauna e biodiversidade é um convite a mirar além do retrato: cultivar valores, proteger o que nos sustenta e celebrar legados de forma renovada.


