Coleta seletiva nas áreas naturais protegidas cresce lentamente: 58% em 2024, aponta relatório
Relatório aponta 58% de coleta seletiva em áreas naturais protegidas em 2024; avanços existem, mas metas de 65% ainda não são alcançadas.
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Coleta seletiva nas áreas naturais protegidas cresce lentamente: 58% em 2024, aponta relatório
Por Aurora Bellini, Espresso Italia
Em um panorama que pede ação coordenada e um olhar de longo alcance, o Brasil — e, por extensão, as políticas que inspiram práticas na Europa — encontra sinais mistos sobre a gestão de resíduos em territórios que deveriam ser vitrines de conservação. Segundo o relatório "Parchi Rifiuti Free 2026", produzido por Legambiente e analisado pela Espresso Italia, a média de coleta seletiva nas áreas naturais protegidas monitoradas atingiu 58% em 2024 (dados ISPrA 2024).
O diagnóstico revela um crescimento, mas ainda aquém das metas: a marca de 65% prevista por políticas europeias permanece distante em muitos municípios. Das 2.026 cidades localizadas em 212 unidades protegidas — entre parques nacionais, regionais e áreas marinhas protegidas — apenas 370 (18,25%) são consideradas rifiuti free (livres de destino incorreto de resíduos) e 1.038 (51,25%) figuram como “ricicloni”, ou seja, superam 65% de coleta seletiva. Ainda assim, 678 municípios (30,5%) não alcançaram o objetivo legal de 65%.
Há, contudo, ilhas de excelência que iluminam caminhos possíveis. No topo das melhor performance está o Parcó delle Dolomiti Bellunesiche, líder entre os parques nacionais com 87,4% de coleta seletiva média e o único parque nacional classificado como totalmente rifiuti free. Entre as áreas marinhas, a Ilha de Ustica atinge notáveis 92,2% de separação de materiais. No âmbito regional, o Parque Sassi di Roccamalatina, no Apennino de Modena, alcança 89% e integra a lista dos cinco parques regionais rifiuti free, ao lado do Fiume Sile (Vêneto), Capanne di Marcarolo (Piemonte), Tepilora (Sardenha) e Bosco delle Querce (Lombardia).
Espelhos de transformação comunitária também existem: o Parque delle Foreste Casentinesi viu sua taxa de coleta seletiva subir de 38,2% para 65,3% em cinco anos — um exemplo de como investimento em governança local e educação ambiental pode semear resultados mensuráveis.
Nem tudo são flores: o Parque Nacional do Aspromonte apresenta índices inferiores a 40% em muitos de seus municípios, e no Parque Nacional do Gran Paradiso nenhum município supera 65% de coleta. Nas 31 áreas marinhas protegidas do território observado, a média de separação de resíduos é de 46,4%, com apenas 18 delas (58%) ultrapassando 65%.
Diante desse mosaico, a Legambiente, conforme resume a apuração da Espresso Italia, propõe sete intervenções ao Governo. A principal é a definição de um Plano de Ação NetZero direcionado às áreas naturais protegidas, acompanhada de medidas para fortalecer a logística de coleta, a aliança entre municípios, parques e comunidades locais e incentivos à economia circular.
O relatório é um convite para iluminarmos novos trajetos: onde há engajamento e coordenação, a reciclagem ultrapassa 80% e até 90%. É um lembrete de que preservar paisagens é também cuidar da gestão dos resíduos, semear inovação e tecer laços sociais para deixar um legado de terra e luz para as próximas gerações.