Metade dos trabalhadores prefere empresas que aceitam cães o ano todo, diz experiência na Mars em Milão
Metade dos trabalhadores prefere empresas pet friendly; caso Mars em Milão mostra benefícios e necessidades para integração responsável de cães no trabalho.
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Metade dos trabalhadores prefere empresas que aceitam cães o ano todo, diz experiência na Mars em Milão
Por Aurora Bellini — Entre luz e movimento, no coração do centro direcional Symbiosis de Milão, revela-se um pequeno cenário que ilumina grandes tendências do mercado de trabalho. Ao lado da mesa de Aldo, sobre um tapete vermelho com vista para a praça Adriano Olivetti, Milo, um imponente cão de pelagem branca e marrom, repousa tranquilo. Não muito longe, Snow, um maltês branco e diminuto, acompanha com olhar sereno a rotina do escritório. São cenas que, para quem busca entender a nova relação entre trabalho e bem-estar, falam mais alto do que relatórios.
Na sede italiana do grupo Mars, os cães estão em casa — literalmente — e essa presença traduz uma mudança: as políticas pet friendly já influenciam escolhas profissionais, especialmente entre as gerações mais jovens. Segundo a percepção geral observada por executivos, metade dos trabalhadores estaria pronta a migrar para empresas que acolhem animais durante todo o ano, um sinal claro de que o cuidado com quem trabalha tornou-se também cuidado com quem faz parte de suas famílias.
A cena cotidiana dos animais no escritório é calma. Milo e Snow dormitam, levantam apenas para observar passos e cumprimentos, aceitam afagos e seguem seus humanos quando é hora de passear, alimentar-se ou simplesmente mudar de sala. Quando se cruzam no corredor principal, olham-se, abanam o rabo e mantêm a compostura: o ambiente é acolhedor, mas ordenado. Há limites, etiqueta e respeito — ingredientes essenciais para transformar afeto em harmonia coletiva.
Yesim Ucelli, administradora italiana da Mars e general manager de Mars Pet Nutrition South Europe, destaca o valor dessa convivência: “Benefícios para todos advêm dessa presença. É necessário um ecossistema de atores e instituições que apoie as famílias”, afirma Ucelli — profissional de origem turca que lidera a unidade italiana há quatro anos. Ela traduz com delicadeza e praticidade uma ideia que salta aos olhos: a presença dos animais nos locais de trabalho pode aumentar o bem-estar, fortalecer laços internos e contribuir para reter talentos.
Da observação às políticas, a transição exige preparo: regras claras, áreas designadas, atenção à saúde animal e humana, além de iniciativas que envolvam RH, facilities e comunicação interna. Empresas que acolhem cães não estão apenas abrindo portas — estão semeando um novo contrato social com os colaboradores, onde respeito, responsabilidade e afeto caminham juntos.
Como costumo dizer aqui na Espresso Italia, quando um focinho toca a sua bochecha, o mundo parece um pouco menos fechado: é um gesto que ilumina o cotidiano e convida a pausas produtivas. A acolhida permanente de animais no trabalho é, portanto, mais do que um benefício: é uma estratégia de cultura organizacional que reflete valores contemporâneos e ajuda a construir um horizonte límpido para o futuro do trabalho.
Se metade dos profissionais já considera trocar de emprego por uma política mais pet friendly, as empresas que desejam liderar este renascimento cultural devem pensar em regras sensatas, formação para convivência e parcerias públicas-privadas que apoiem as famílias. Assim, sob uma luz prática e humana, semeiam-se relações de trabalho mais saudáveis, produtivas e duradouras.