Ondas de calor marinho em 2025 atingem até 40 metros: riscos graves para os fundos marinhos italianos
Relatório do Greenpeace: ondas de calor marinho em 2025 alcançaram 40 m, ameaçando corais e biodiversidade nas áreas protegidas italianas.
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Ondas de calor marinho em 2025 atingem até 40 metros: riscos graves para os fundos marinhos italianos
Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Um novo relatório do Greenpeace acende um sinal de emergência sobre o estado dos mares em torno da Itália: em 2025 foram registradas ondas de calor marinho que atingiram até 40 metros de profundidade, com impactos visíveis sobre a biodiversidade marinha e os ecossistemas bentônicos.
O projeto Mare Caldo, lançado em 2019 e dedicado à memória da professora Monica Montefalcone — cuja contribuição científica foi fundamental e a quem o trabalho foi dedicado após sua trágica morte em maio nas Maldivas — analisou dados coletados em 14 estações de monitoramento, das quais 13 situadas em Áreas Marinhas Protegidas. O resultado é contundente: as anomalias térmicas não são mais eventos pontuais, mas episódios cada vez mais frequentes e prolongados.
Segundo dados do serviço Copernicus citados pelo relatório, 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado globalmente, com uma temperatura média da superfície do ar de 14,97°C, aproximando-se de +1,48°C em relação ao nível pré-industrial. No Mediterrâneo, algumas áreas chegaram a contabilizar mais de 200 dias com condições de onda de calor marinha e anomalias superficiais entre +1,5°C e +2,5°C acima da média climatológica.
A anomalia máxima detectada no país foi de +3,5°C acima da média climatológica: registrada na Sardenha, na Área Marinha Protegida da Ilha de Asinara, durante uma onda de calor que durou 41 dias entre o final de maio e julho de 2025. Outras leituras altas foram pontuadas na AMP de Capo Carbonara e na AMP de Tavolara (ambas na Sardenha), com +3,46°C; na AMP de Capo Milazzo (Sicília), com +2,94°C; e na AMP do Plemmirio (Sicília), com +2,71°C.
Os impactos no fundo marinho já são observáveis: há relatos de necrose e branqueamento em espécies sensíveis, como a gorgónia amarela Eunicella cavolini e o coral endêmico Cladocora caespitosa. Ao mesmo tempo, aumenta a presença de espécies termófilas e invasoras, como a alga Caulerpa cylindracea, que remodelam comunidades e competem com as espécies nativas.
“Observamos anomalias térmicas que alcançam habitats mais profundos e incidem diretamente na saúde dos ecossistemas marinhos, inclusive em áreas protegidas. O trabalho de conservação é precioso, mas não basta: é necessária uma redução drástica das emissões de gases de efeito estufa”, afirma Valentina Di Miccoli, campaigner do programa Mare da Greenpeace Itália, citada no relatório do projeto.
O avanço do calor marinho para camadas mais profundas significa que os impactos deixam de ser apenas uma crise de superfície para se transformar numa ameaça sistêmica aos fundos marinhos, afetando estrutura das comunidades bentônicas, serviços ecossistêmicos e, por consequência, atividades humanas como a pesca e o turismo sustentável. Em termos práticos, a alteração de habitat pode reduzir a resiliência das espécies e abrir espaço para processos de erosão da biodiversidade local.
Como curadora de progresso, vejo nesta constatação científica a urgência de iluminar novos caminhos: combinar ações locais de gestão das áreas marinhas protegidas com políticas climáticas ambiciosas é a chave para semear a recuperação. Proteger não é apenas isolar; é também reduzir as fontes de pressão que vêm da atmosfera e da terra.
O relatório do Mare Caldo é um convite para que gestores públicos, pesquisadores e sociedade civil teçam respostas integradas, cultivando soluções que restauram habitats, reduzem emissões e ampliam a capacidade de adaptação dos ecossistemas marinhos. A luz da ciência revela onde devemos agir — e com que urgência.