Orlando Bloom: “Minha vida não existe sem um cão ao lado — com eles aprendi até a aceitar a morte”
Orlando Bloom conta como os cães mudaram sua vida: adoções, lições sobre a morte e seu compromisso com a proteção animal e ambiental.
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Orlando Bloom: “Minha vida não existe sem um cão ao lado — com eles aprendi até a aceitar a morte”
Por Aurora Bellini — Henley on Thames (Reino Unido). Sob a luz serena de uma tarde campestre, Orlando Bloom passeia com Alan, o cão embaixador de campanhas de prevenção animal da MSD Animal Health, pelas trilhas do Borrow Farm Estate, uma propriedade que respira natureza e convive com fauna de várias espécies, não distante da casa onde cresceu com sua família. Nessa conversa, que ilumina caminhos entre memória e afeto, o ator — que já foi o elfo guerreiro Legolas, o pirata espadachim Will Turner e o cruzado Balian — assume sem hesitação um título que, para ele, vale tanto quanto o de ator: pet lover.
“Sou mais pet lover do que qualquer outra coisa”, diz, com um sorriso contido mas sincero, como quem revela um segredo que é, na verdade, o seu norte. Crescido em meio a cães, Orlando conta que nunca viveu sem um companheiro de quatro patas. “Tive um ao meu lado desde criança e a presença deles sempre me ancorou. A minha vida não existe sem um cão ao lado”, confessa, em tom que mistura afeto e convicção.
A história que mudou o rumo de sua vida adulta aconteceu nos bastidores do filme Kingdom of Heaven (As Cruzadas, na Itália). “Eu adotei um vira‑lata cheio de carrapatos que vivia no set. Era um filhote que comia qualquer coisa — até ração de camelo, por causa dos animais de cena. Estava mal tratado; levei ao veterinário, ele se recuperou e me acompanhou pelos doze anos seguintes. Foram doze anos fantásticos”, recorda, com a voz iluminando as lembranças.
Além do afeto, Orlando Bloom vê nos cães uma escola de vida. “Cuidar deles me mantém com os pés no chão. Meu batimento cardíaco, de certa forma, se regula por causa deles. Você aprende sobre responsabilidade, sobre rotina, sobre presença — e, também, sobre a finitude”, diz. Para ele, a convivência com animais “ensina a aceitar a morte” como parte do fluxo natural, uma lição de humildade e de compaixão que molda o caráter.
O amor pelos animais vai além dos cães domésticos. Orlando é um ambientalista engajado: é membro da Sea Shepherd, organização que defende os oceanos e suas criaturas, e assinou prefácios de livros escritos por seu primo, o fotógrafo e ativista Sebastián Copeland, sobre a emergência climática — fruto de uma missão conjunta numa expedição a bordo de um quebra‑gelo na Antártica. Essas experiências, diz ele, ajudaram a tecer um entendimento mais amplo entre preservação e afeto, entre proteção ambiental e responsabilidades humanas.
Na rotina de quem viaja o mundo, adotar e manter cães exige escolhas e disciplina. “Mesmo em turnê ou filmagens longas, faço questão de cuidar pessoalmente dos meus cães. É uma prioridade que não abro mão. Eles me ensinam a estar presente, a priorizar o que realmente importa”, explica, enquanto observa Alan farejar um canteiro, atento ao movimento dos pássaros.
Orlando transita entre papéis épicos e compromissos ambientais, sempre com o mesmo fio condutor: o respeito pela vida. “Os animais iluminam novos caminhos na nossa forma de sentir o mundo. Eles nos convidam a semear afeto e a construir um legado de cuidado — um renascimento de hábitos que pode transformar o horizonte”, reflete, numa fala que soa como um convite silencioso à ação concreta.
Ao final do passeio, fica a imagem clara de um homem cuja identidade pública não se dissocia do compromisso privado: um artista que encontrou nos animais não apenas companhia, mas mestres de uma ética cotidiana, e um defensor dos oceanos que acredita que pequenas atitudes — como adotar um cão abandonado — também ajudam a cultivar valores maiores. É um gesto que ilumina e cria raízes.