Rastreabilidade na criação de cães: criadores pedem transparência para rastrear filhotes e mães

Grupo de criadores pede rastreabilidade entre filhotes, mães e proprietários para frear abusos e proteger criadores e consumidores.

Rastreabilidade na criação de cães: criadores pedem transparência para rastrear filhotes e mães

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Rastreabilidade na criação de cães: criadores pedem transparência para rastrear filhotes e mães

O pedido é claro: rastreabilidade. Só com mecanismos que permitam verificar de forma ágil a correspondência entre as ninhadas, as mães que as geraram e a titularidade de ambas será possível pôr freio ao abusivismo e às ilegalidades que afetam a criação de cães. Essa foi a mensagem central do Grupo Allevatori Cinofili (GAC), a principal associação de categoria do setor, em reunião recente no Ministério da Saúde italiano.

O encontro ocorreu com Giovanni Filippini, diretor da Direção-Geral de Saúde Animal, com foco na definição do regulamento do SINAC — o Sistema Informativo Nacional dos Animais de Companhia — e em vista da aprovação do regulamento europeu sobre bem-estar animal e rastreabilidade, que estava prevista para votação no Parlamento Europeu em 28 de abril. Para o GAC, a adoção de instrumentos práticos de verificação é condição essencial para iluminar novos caminhos de controle e responsabilização na cadeia da criação canina.

Hoje, segundo o GAC, a ausência de procedimentos de checagem rápidos e eficazes alimenta um mercado paralelo de criadores improvisados e vendas opacas — situações que prejudicam tanto os criadores em dia com as normas quanto os cidadãos que procuram um cão de raça pela via legal. Mesmo evitando anúncios suspeitos na internet ou compras em feiras informais, o comprador consciente não está seguro se dentro dos próprios canis não houver a devida transparência sobre origem e propriedade dos animais.

Um ponto técnico e prático sublinhado pelo grupo diz respeito à coerência dos dados. Há casos em que o nome do criador nos pedigrees não coincide com o real proprietário da fêmea nos registros caninos regionais. Segundo o GAC, isso decorre de auto-declarações que não são submetidas a verificação, o que compromete a integridade das bases oficiais e abre brechas para fraudes. Em resposta, a associação apelou também ao ENCI — o órgão italiano de cinofilia — para que adote medidas que garantam a consistência dos dados.

Do ponto de vista ético, o GAC reforça que criar cães é antes de tudo uma responsabilidade, não um negócio puramente mercantil. Colocar o bem-estar animal no centro das regras e dotar as instituições de ferramentas para realizar inspeções é, na visão dos criadores organizados, a forma mais eficaz de proteger quem trabalha de acordo com as normas e de cuidar das famílias que adotam um animal.

Ao semear inovação nos sistemas de controle — combinando registros integrados como o SINAC, microchipagem obrigatória e verificações cruzadas entre pedigrees e análogos registros regionais — será possível reconstruir a confiança na filiação e na propriedade. Trata-se de uma necessidade prática para coibir fraudes e, também, de um gesto de responsabilidade coletiva que ilumina um horizonte mais límpido para a cinofilia responsável.

O apelo do GAC mistura técnica e visão ética: soluções concretas que tornem os processos mais transparentes, ao mesmo tempo em que valorizem o trabalho dos criadores comprometidos com o bem-estar animal. Ao propor mecanismos de rastreamento e controle, a associação busca não apenas bloquear práticas ilícitas, mas também preservar o legado e a reputação de uma atividade que, bem exercida, contribui para laços duradouros entre humanos e animais.

Para os leitores e consumidores, a recomendação é clara: apoiar canais oficiais e exigir documentação coerente é parte do dever cidadão. Para as instituições, o desafio é dotar-se das ferramentas necessárias para verificar, agir e prevenir. Assim, com luz sobre os processos e regras bem aplicadas, será possível proteger tanto os criadores honestos quanto as famílias que buscam um companheiro de quatro patas.