Análises forenses avançam: apreendidos celulares e computadores no caso do duplo envenenamento por ricina em Pietracatella
Investigadores apreenderam celulares e computadores no caso de duplo envenenamento por ricina em Pietracatella; laudos confirmam intoxicação aguda.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Análises forenses avançam: apreendidos celulares e computadores no caso do duplo envenenamento por ricina em Pietracatella
Investigadores recolheram da casa em Pietracatella, na província de Campobasso, todos os dispositivos eletrônicos pertencentes a Sara Di Vita e a sua mãe, Antonella Di Ielsi. Foram apreendidos celulares, computadores, tablets e qualquer outro aparelho que pudesse conter vestígios digitais úteis ao inquérito sobre a noite de 23 de dezembro, quando mãe e filha morreram, segundo a investigação, após uma jantar envenenado.
Os laudos do Centro Antiveleni IRCCS Maugeri de Pavia confirmaram a presença de ricina em concentrações compatíveis com um quadro de intoxicação aguda nos exames sanguíneos colhidos durante as autópsias. A conclusão consta na relação assinada pelo professor Locatelli, que foi encaminhada ao Ministério Público de Larino (Campobasso) e integra a documentação pericial depositada na procuradoria, junto à consultoria final sobre as necrópsias.
A procuradora de Larino, Elvira Antonelli, divulgou trechos das análises do centro de Pavia e ressaltou que, apesar do achado toxicológico nas duas vítimas, o sangue de Gianni (Giovanni) Di Vita — pai e marido das vítimas — mostrou resultado negativo para a toxina. O perito toxicologista apontou que essa negatividade pode ser explicada pela ausência da proteína no sangue no momento do exame ou pela degradação da substância em função do intervalo entre a coleta e a execução das análises.
Em termos processuais, a procuradoria manteve inalteradas as hipóteses de acusação até o momento: há dois filões investigativos em andamento. O primeiro envolve cinco médicos indagados por eventual homicídio culposo; o segundo é um procedimento separado, por duplo homicídio premeditado, que ainda não registrou indiciados. A magistrada afirmou que as apurações prosseguem "a tutto campo" em busca de elementos probatórios e de confirmação das evidências já reunidas.
Além das perícias toxicológicas, a investigação agora volta-se também ao universo digital das vítimas e de familiares. Está sob exame o telefone da jovem Alice — filha de Antonella e irmã de Sara — que não participou do jantar de 23 de dezembro por estar em uma pizzaria com amigos. Os peritos analisam conversas, histórico de buscas e apontamentos relativos aos alimentos consumidos durante as festas de fim de ano.
O iPhone de Alice foi apreendido e os técnicos realizam um acertamento irrepetível sobre o período compreendido entre 1º de dezembro e 13 de abril. Idêntico tipo de análise foi executado nos dispositivos das vítimas. As diligências digitais são parte integrante dos dois ramos do inquérito e visam estabelecer conexões cronológicas e materiais entre comportamentos, pesquisas on-line e as evidências toxicológicas colhidas nas autópsias.
Após a conclusão das operações de remoção dos selos, os agentes entraram no imóvel e possibilitaram a participação de um representante para cada uma das dez partes envolvidas no procedimento — incluindo os cinco médicos indagados e as demais partes interessadas — durante as atividades periciais. A investigação, conforme a procuradora, seguirá com prioridade na obtenção de elementos de corroboração e na verificação cruzada de dados digitais e laboratoriais.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e laudos técnicos compõem agora o núcleo da investigação que busca traduzir em fatos brutos a sequência que levou às mortes de Antonella Di Ielsi e Sara Di Vita. A posição do Ministério Público permanece centrada na cautela: as conclusões toxicológicas são um elemento determinante, mas a instrução prossegue até a composição de um quadro probatório completo.