Camorra engana cartel colombiano, esquema transnacional de droga desmantelado: 4 presos
Operação dos Carabinieri desmantela esquema entre Camorra e cartel colombiano; 4 prisões e 800 kg de cocaína por ano identificados.
RESUMO ✦
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Camorra engana cartel colombiano, esquema transnacional de droga desmantelado: 4 presos
Em operação conjunta do Comando provinciale dei Carabinieri e da DDA, foi desarticulada uma organização dedicada ao narcotráfico transnacional que atuava entre a América do Sul e a Itália. Após apuração in loco e amplo cruzamento de fontes, os investigadores cumpriram quatro prisões — entre os detidos, um cidadão italiano — e apreenderam elementos que confirmam a natureza empresarial do grupo.
O levantamento da investigação revela uma cadeia logística variada e tecnicamente complexa: uso de correios "ovuladores", bolsas lançadas ao mar e recuperadas por coordenadas GPS, e automóveis com fundos duplos. Havia também uma refinaria clandestina instalada em área rural da Calábria para processamento da droga antes da distribuição.
As interceptações telefônicas e as provas coletadas demonstraram ligações diretas entre os investigados e a liderança dos Los Choneros, a facção mais influente e violenta do Equador. Para contornar controles bancários e fiscalizações estatais, o esquema recorria sistematicamente a criptomoedas e mecanismos financeiros não convencionais.
Um episódio chave da investigação foi o regulamento de contas entre criminosos sul-americanos e membros da Camorra napolitana. Segundo os elementos verificados, representantes da Camorra simularam uma intervenção das forças de ordem na área de Nápoles e se apoderaram de 10 quilos de cocaína recém-entregues por traficantes colombianos, causando um prejuízo estimado em cerca de 280.000 euros ao cartel.
A resposta do cartel colombiano à apropriação do carregamento foi marcada pela intenção de violência organizada: planos de sequestros — com locação de apartamentos para manter devedores presos — emprego de tacos de beisebol e uso de armas de fogo foram citados nas apurações. Para resolver o conflito, os líderes do cartel acionaram canais diplomático-criminais e realizaram encontros na Campânia, segundo o que a investigação conseguiu documentar.
Os números levantados no inquérito são expressivos: cerca de 800 quilos de cocaína eram importados anualmente por rotas identificadas. A entrada da droga na Itália ocorria por duas vias principais: por terra, a partir da Espanha, em veículos com fundos duplos; e por rotas marítimas, com embarcações provenientes de portos sul-americanos — entre eles Guayaquil, no Equador — que realizavam lançamentos em alto-mar de sacos recuperados mediante coordenadas GPS.
Os investigadores descrevem a gestão do grupo como de perfil “altamente empresarial”. O custo de compra da cocaína no atacado situava-se entre 16.000 e 17.000 euros por quilo; a revenda oscilava entre 21.000 e 24.000 euros por quilo. Nas comunicações internas, as margens de lucro eram referidas como "pontos" (por exemplo, 7 pontos equivalem a 7.000 euros). Para dissimular o conteúdo, a organização utilizava códigos como "Rosalba/Rosalia" (para a cocaína rosa), "Biancaneve" (para a cocaína clássica) e os termos "cotta/cruda" para indicar o grau de processamento químico.
O trabalho dos Carabinieri e da DDA prossegue com o objetivo de mapear integralmente as conexões internacionais e financeiras do grupo. Trata-se de um caso em que a combinação de técnicas tradicionais de investigação e a análise técnica de fluxos financeiros permitiu desmontar uma rede com grande capacidade logística e potencial de violência. Fatos brutos e verificados, sem especulação: as operações seguem em curso.