Paróquia de Camponogara responsabiliza a política após feminicídio de Tania Terrin

Padre de Camponogara responsabiliza a política após feminicídio de Tania Terrin; investigação apura ligação entre medidas anteriores e o crime.

Paróquia de Camponogara responsabiliza a política após feminicídio de Tania Terrin

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Paróquia de Camponogara responsabiliza a política após feminicídio de Tania Terrin

Em apuração in loco e cruzamento de fontes, a cerimônia fúnebre de Tania Terrin, 39 anos, em Camponogara (Veneza), tornou-se palco de uma dura crítica institucional. Na homilia, o pároco don Alberto Peron apontou que a responsabilidade pela tragédia é coletiva e, primeiramente da política, que, segundo ele, “aos discursos de apoio às associações anti-violência contrapõe, na prática, o desvio de verbas para defesa e armamentos”.

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O religioso reclamou ainda por “maior atenção por parte da justiça — que saiba aplicar medidas e não apenas multiplicar instrumentos repressivos” e apelou à construção de “uma rede” social capaz de enfrentar a solidão e a prepotência que, na sua avaliação, alimentam episódios como o ocorrido.

Ao término da missa, do lado de fora da igreja de Camponogara, foi tocada a canção "Ho perso le parole", de Ligabue. Familiares e amigos mais próximos se reuniram em torno do caixão branco; sobre o féretro havia uma insígnia vermelha da associação Riviera Donna. A mãe, Marinella Forner, beijou o caixão e permaneceu junto aos parentes, conforme registrou a apuração.

As primeiras informações oficiais indicam que Tania Terrin foi sufocada dentro de sua residência. Em seguida, o ex-companheiro, identificado como Dino Keber, retornou à sua casa em Dolo e tirou a própria vida por enforcamento. Investigações preliminares confirmam que o vínculo entre os dois havia sido interrompido no passado e que a vítima registrou denúncia contra Keber.

Em consequência das queixas anteriores, o homem recebeu um ammonimento formal do questore de Veneza e medidas de afastamento. Nas semanas seguintes, as autoridades observaram uma aparente calma no comportamento do acusado, e as fontes indicam que, em junho, Terrin prestou depoimento à magistratura relatando uma convivência recente que incluíra um encontro em pizzaria.

Os investigadores agora trabalham para determinar se as ocorrências anteriores e as providências adotadas contra Keber guardam relação direta com os fatos da noite de Ferragosto. Permanecem em aberto a cronologia exata e as causas precisas dos dois óbitos: exames médico-legais e diligências policiais serão decisivos para reconstituir a sequência dos acontecimentos.

Fontes do inquérito e documentos consultados pelo jornal Il Gazzettino indicam que, em episódio anterior, Keber teria levado Tania ao pronto-socorro após uma agressão que a deixou sem consciência. Esse episódio, segundo as atas do processo, não teria sido integralmente traduzido na subsequente queixa da vítima — circunstância que levou a polícia a aplicar apenas a medida de ammonimento, considerada insuficiente para evitar o desfecho fatal.

O caso reabre perguntas sobre a eficácia das medidas protetivas, a execução das ordens judiciais e o papel das políticas públicas de prevenção à violência de gênero. Em tom direto, livre de especulações, continua a apuração: a realidade traduzida em fatos brutos será apresentada tão logo os laudos periciais e os autos da investigação permitam conclusões definitivas.

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