Bruno Frattasi deixa direção da Agência Nacional de Cibersegurança; Andrea Quacivi será seu substituto

Bruno Frattasi renuncia à direção da ACN; Andrea Quacivi, ex-CEO da Sogei, assume. Mudança pode alterar rumo da cibersegurança italiana.

Bruno Frattasi deixa direção da Agência Nacional de Cibersegurança; Andrea Quacivi será seu substituto

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Bruno Frattasi deixa direção da Agência Nacional de Cibersegurança; Andrea Quacivi será seu substituto

Bruno Frattasi apresentou sua carta de demissão como diretor-geral da Agenzia per la cybersicurezza nazionale (ACN), comunicando sua saída a Palazzo Chigi alegando "motivos pessoais". Fontes de bastidores, no entanto, indicam que a real motivação passa por uma perda de confiança no relacionamento com a cúpula responsável pela segurança do Estado.

Segundo apurações, o desgaste teria ocorrido, em especial, com o subsecretário Alfredo Mantovano, titular da delega para a segurança informática, que em março de 2023 havia recomendado Frattasi para liderar a estrutura. A consequência institucional é imediata: o comando técnico da agência será assumido por Andrea Quacivi, ex‑CEO da Sogei.

Uma mudança no topo da segurança digital

A carta de demissão enviada por Frattasi a Palazzo Chigi encerra uma etapa da sua carreira pública: ex‑prefeito e administrador de longa experiência no aparelho do Estado, ele deixa a ACN num momento em que a agenda de ciberdefesa exige continuidade e coordenação entre ministérios e agências. Essa saída reconfigura os alicerces da política de segurança cibernética italiana, levantando questões práticas sobre quem imprimirá o ritmo das próximas intervenções e como será mantida a ponte entre Roma e as instituições públicas e privadas encarregadas da proteção digital.

Trajetória de Bruno Frattasi

Formado em Direito pela Universidade de Nápoles Federico II, Bruno Frattasi ingressou na carreira prefectoral em 1981. Passou por áreas centrais do Ministério do Interior, incluindo a Direção Geral de Pessoal e o Gabinete do Ministro. Em 2005 recebeu a nomeação a Prefeito da República e, desde então, acumulou funções de relevo: comissário extraordinário do Comune di Gaeta (2006–2007), Prefeito de Latina (2007–2009), diretor de coordenação das forças de polícia, chefe de gabinete do Ministério do Interior e diretor do gabinete da ex‑ministra Lamorgese.

Frattasi também liderou o departamento dos Vigili del Fuoco, a Agência Nacional para bens sequestrados e confiscados à criminalidade organizada e ocupou cargos relacionados a grandes obras e relações parlamentares. Sua saída da ACN representa, portanto, o fim de uma trajetória de décadas no coração da administração pública italiana.

Quem é Andrea Quacivi

Andrea Quacivi traz um perfil técnico e empresarial para comandar a ACN. Economista de formação, com longa experiência em Big Data, iniciou a carreira como consultor na Arthur Andersen e passou por empresas como a Wind. Em 2007 ingressou na Sogei, a empresa de TI do Ministério da Economia e Finanças, tornando-se CEO cerca de dez anos depois. Em 2020 assumiu também a direção da Geoweb Spa e integra o conselho da Fondazione ICSC, que gere o Centro Nacional de Pesquisa em HPC, Big Data e Quantum Computing no Tecnopolo de Bolonha.

A substituição de um gestor público de carreira por um executivo com forte experiência em tecnologia e dados sinaliza uma possível mudança de enfoque operacional na agência — da gestão institucional para uma maior ênfase em capacidades técnicas e inovação em ciberdefesa.

Como repórter que acompanha as ligações entre as decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, observo que mudanças no comando da ACN exigem vigilância: a segurança digital é hoje um alicerce da proteção coletiva e qualquer alteração na administração deve ser traduzida em continuidade de políticas e clareza para o setor privado e a sociedade civil. A caneta que altera nomes na chefia pesa também sobre contratos, estratégias e cooperações internacionais — e a transição terá de ser gerida com transparência.

Seguiremos acompanhando quais serão os primeiros atos de Andrea Quacivi à frente da ACN e como o governo garantirá que a arquitetura da defesa cibernética não perca ritmo durante a transição.