Calenda e Renzi em atrito por suposta telefonada a Putin durante o Brexit: acusações e negações

Calenda e Renzi trocam acusações por suposta ligação a Putin durante o Brexit; Italia Viva chama Calenda de 'mitomane' e nega participação.

Calenda e Renzi em atrito por suposta telefonada a Putin durante o Brexit: acusações e negações

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Calenda e Renzi em atrito por suposta telefonada a Putin durante o Brexit: acusações e negações

Carlo Calenda, líder do partido Azione, reavivou uma antiga história envolvendo uma suposta telefonata ao presidente russo Vladimir Putin no período do referendo sobre a Brexit. A declaração provocou respostas duras de Matteo Renzi e do grupo Italia Viva, transformando o episódio em nova fagulha na cena política italiana.

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Em uma publicação na rede X, Calenda afirmou: "Confirmo palavra por palavra quanto detto al Corriere sulla telefonata con Putin, Renzi e l’allora Ministro dell’Industria russo. Fatto peraltro già raccontato in mille interviste e scritto in un mio libro. Peraltro di telefonate del genere resta traccia alla segreteria di Chigi ed è facile verificare" — afirmando, em resumo, que havia registro da chamada na secretaria de Chigi e que o episódio já havia sido relatado por ele em entrevistas e livro.

Calenda afirmou ainda que "Provavelmente Renzi, che ricordo fino all’invasione su larga scala dell’Ucraina, faceva parte del Cda di una società russa, non vuole far dispiacere a vecchi e nuovi clienti ricordando questi trascorsi", insinuando laços passados entre Renzi e estruturas russas, conforme suas palavras públicas.

A resposta de Italia Viva foi imediata e contundente. O gabinete de imprensa do partido classificou as declarações de Calenda como não apenas notícia falsa, mas como sinal de uma "mitomania progressiva" do líder de Azione — usando a expressão italiana "mitomane" (mitomaníaco) para descrever o que chamaram de invenção de um passado que nunca existiu. Segundo a nota, "I mitomani... devono essere solo aiutati" — ou seja, uma crítica irônica que sugere que Calenda estaria distorcendo fatos.

No esclarecimento oficial, Italia Viva traçou uma reconstrução temporal: a ligação em que, segundo o partido, Renzi teria contatado Putin para questionar interferências russas e a atuação da Russia Today ocorreu de forma isolada, com Renzi localizado então em sua casa em Pontassieve, depois de uma grande manifestação na Piazza del Popolo do comitê pelo sim. "Obviamente Calenda non c’era", frisou o gabinete, afirmando que Calenda tomou conhecimento dos fatos apenas pelo relato do então primeiro‑ministro.

O conflito traz à tona contrastes maiores sobre as relações bilaterais e o papel de figuras públicas na construção de direitos e na defesa da liberdade de imprensa. Calenda é lembrado por sua atuação em fóruns em favor do estreitamento de relações Itália‑Rússia, como o encontro de São Petersburgo em 2016, e por declarações em 2022 sobre a Ucrânia após a invasão. Italia Viva, por sua vez, questiona a precisão histórica das alegações e atribui ao processo uma narrativa de autoconstrução do passado.

Como repórter que vê seu ofício como uma ponte entre nações e entre decisões públicas e vida cotidiana, cabe sublinhar que o episódio exige verificação documentada: se há registros na secretaria de Chigi, como alega Calenda, eles devem ser acessíveis às autoridades competentes ou confrontados em sede institucional. Do mesmo modo, acusações sobre vínculos empresariais russos demandam evidência documental antes de se transformarem em presunções políticas.

Enquanto as partes trocam acusações — entre reivindicações de memória e desmentidos categóricos — a disputa revela o peso da narrativa política: a capacidade de moldar o passado pode construir alicerces para futuros eleitorais, mas também corre o risco de derrubar a credibilidade se não estiver amparada em provas. Aguardam‑se agora documentos ou confirmações formais que esclareçam quem, de fato, participou daquela chamada e o teor exato das conversas.

Como sempre, acompanharemos os desdobramentos com foco em fatos verificáveis e na explicação clara do que cada acusação implica para a vida pública e para os alicerces da confiança democrática.

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