Câmara aprova o Decreto Segurança; Cdm presidido por Tajani valida correção sobre repatriações

Câmara aprova Decreto Segurança; Cdm presidido por Tajani valida correção sobre repatriações e altera incentivo de 615€ para apoio aos retornos.

Câmara aprova o Decreto Segurança; Cdm presidido por Tajani valida correção sobre repatriações

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Câmara aprova o Decreto Segurança; Cdm presidido por Tajani valida correção sobre repatriações

Por Giuseppe Borgo — Em uma sessão que se estendeu pela madrugada, a Camera aprovou definitivamente o decreto segurança com 162 votos a favor, 102 contra e 1 abstenção. Quase simultaneamente, o Consiglio dei Ministri (Cdm) se reuniu e aprovou o decreto corretivo que introduz disposições urgentes sobre a repatriação voluntária assistida. A presidência do Cdm coube ao vice‑primeiro‑ministro Antonio Tajani, já que a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, estava em agenda oficial em Chipre para o encontro da UE.

Do encontro em Chipre, Meloni justificou a sua ausência alegando precedentes de Cdm não presididos pelo chefe do governo quando se exige uma conversão rápida em lei: "Ci sono stati altri precedenti...". A opção permitiu que o Governo encaminhasse o corretivo sem atrasos formais, mantendo o peso da caneta e a arquitetura da decisão estatal em funcionamento.

Os dois atos — o texto final do decreto sicurezza e o decreto correttivo relativo ai rimpatri — devem agora ser enviados em conjunto ao Presidente da República, Sergio Mattarella, para que ele tenha a oportunidade de examinar e assinar ambos simultaneamente, salvo eventuais observações de última hora. Segundo fontes da imprensa, a publicação em Gazzetta Ufficiale poderia ocorrer ainda hoje, a partir das 18h, formalizando assim a tramitação legislativa iniciada no Parlamento.

A sessão de Montecitorio foi longa e tensa: iniciada na noite anterior, a maratona de declarações de voto terminou às 7h36, depois de mais de cem parlamentares inscritos — a maioria da oposição. Na retomada dos trabalhos, as bancadas oposicionistas entoaram "Bella ciao" em referência ao 25 de abril, gesto que provocou reação da maioria, com a execução do hino nacional por parte de membros do governo. O presidente de turno Fabio Rampelli (FdI) chegou a repreender os deputados: "Colleghi, abbiamo capito, dobbiamo proseguire i nostri lavori".

O episódio vocal refletiu a carga simbólica da votação, mas o cerne do debate foi técnico e prático: o primeiro texto aprovado pela Câmara previa um incentivo de 615 euros para advogados caso seus assistidos optassem pela volta aos países de origem. O decreto corretivo aprovado pelo Cdm altera esse ponto, de modo a impedir que a norma entre em vigor exatamente na forma aprovada pelo Parlamento.

O novo texto amplia a plateia elegível ao benefício — não mais apenas advogados, mas também mediadores, associações e outras figuras profissionais — e altera a fonte do financiamento: o contributo deverá ser erogado pelo Estado, e não pelo Conselho Nacional Forense. Além disso, o pagamento previsto continuará a ser devido mesmo se a prática de repatriação voluntária assistida não se concretizar, uma mudança que tem impacto direto sobre a operacionalização dos programas de retorno.

Como correspondente que acompanha a construção de políticas que afetam cidadãos, imigrantes e ítalo‑descendentes, registro que a correção tenta derrubar barreiras burocráticas apontadas por operadores do setor, mas levanta dúvidas sobre incentivos e accountability. Resta ao Quirinale calibrar o ato final: assinar para transformar as medidas em alicerces legais, ou formular observações que apontem ajustes necessários.