Câmara aprova a não autorização para uso das chat entre Delmastro e Carroccia em voto secreto

Câmara, por voto secreto, barra uso das chat entre Delmastro e Carroccia; 206 contra e 133 a favor. Protestos e críticas marcam a sessão.

Câmara aprova a não autorização para uso das chat entre Delmastro e Carroccia em voto secreto

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Câmara aprova a não autorização para uso das chat entre Delmastro e Carroccia em voto secreto

Em nova sessão marcada por climas de protesto simbólico e debates acalorados, a Câmara dos Deputados, por meio de voto secreto, confirmou a deliberação já tomada pela Giunta delle autorizzazioni: não autorizar a magistratura a requisitar e utilizar as chat trocadas entre o ex-subsecretário Delmastro e Carroccia.

O resultado final registrou 206 votos contra o uso das conversas e 133 votos a favor do seu sequestro. Segundo as declarações de voto oficiais em plenário, integraram a linha de defesa contra a autorização todos os partidos da base de governo e os 8 deputados de Futuro Nazionale ligados a Vannacci. Do outro lado, votaram favoravelmente à liberação das mensagens as bancadas de Partido Democrático (PD), Movimento 5 Stelle (M5S), AVS, Italia Viva (IV) e Azione.

O embate em plenário foi pontuado por acusações diretas. A secretária do PD, Elly Schlein, afirmou que “o governo deveria ocupar-se dos problemas dos italianos e não dos seus próprios problemas; todas as vossas energias estão concentradas em vocês mesmos”. Na mesma linha crítica, o líder do M5S, Giuseppe Conte, declarou que a maioria tem uma ideia de justiça que é “inflexível com os estudantes, com os operários que perdem o trabalho e com os menores criminalizados, mas nunca com os amiguinhos que devem conseguir se esquivar da justiça. Vocês macularam as instituições”.

Ao final de seu pronunciamento, Conte conclamou: “Eu provo: vamos, mostrem essas chat, um pouco de dignidade, mostrem os celulares…”. Em resposta simbólica, os deputados do M5S ergueram e exibiram seus telemóveis no plenário, gesto que igualmente teve eco no Senado — onde senadores pentastellati, presentes para as comunicações do ministro Giorgetti, também levantaram os aparelhos, reafirmando a campanha #fuorilechat promovida pelo Movimento.

O grupo AVS adotou outra encenação: durante a declaração de voto de Elisabetta Piccolotti — que anunciou apoio ao sequestro das mensagens — vários deputados da sigla apareceram com faixas brancas cobrindo os olhos, símbolo de protesto contra o que consideram opacidade do processo.

Pelo bloco de governo, o deputado de Forza Italia Pietro Pittalis, relator da maioria, defendeu a decisão da Giunta. Segundo ele, negar a autorização à Procura de Roma para acessar as conversas não constitui um “escudo para obstruir o trabalho da magistratura”; chamar isso de impedimento ao trabalho judicial é, nas palavras do relator, um “argumento inconsistente e perigoso”. Pittalis enfatizou que a não autorização da aquisição documental “não impede a autoridade judiciária de prosseguir com as investigações por meio dos instrumentos permitidos pelo ordenamento”.

O episódio confirma a tensão entre o Parlamento e o poder judiciário, e levanta questões sobre os limites do privilégio parlamentare e os mecanismos de investigação independentes. Na arquitetura democrática, este episódio funciona como mais uma peça no diálogo — e no atrito — entre as instituições: uma ponte difícil de construir, cujo alicerce exige transparência sem ferir princípios processuais.

Como repórter atento à interseção entre decisões de Roma e impactos concretos sobre os cidadãos, acompanho os próximos passos: será determinante observar se a procura decidirá prosseguir com alternativas investigativas e como os partidos farão a leitura política deste resultado nas próximas semanas.