Emenda à segurança no Senado: fim dos ressarcimentos civis para quem comete crimes
Emenda ao decreto segurança proíbe ressarcimento civil a autores de crimes; medida aprovada pela maioria reabre debate sobre legítima defesa.
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Emenda à segurança no Senado: fim dos ressarcimentos civis para quem comete crimes
Um emendamento ao decreto sicurezza, subscrito por todas as forças da maggioranza no Senado, propõe a proibição de qualquer forma de risarcimenti ou indenização civil para quem comete um reato ou uma agressão. O anúncio foi feito em nota conjunta pelos capigruppo Lucio Malan (presidente dos senadores de FdI), Massimiliano Romeo (capogruppo Lega), Stefania Craxi (capogruppo de Forza Italia) e Michaela Biancofiore (dos Civici d'Italia - Noi Moderati).
Segundo o texto apresentado, "nenhum indennizzo ou risarcimento civile deve ser riconosciuto a chi commette un reato o un'aggressione". Trata-se de uma redação que, se aprovada, excluiria de modo categórico qualquer pretensão de reparação na esfera civil por parte dos autores de crimes gravíssimos — entre eles violenza sessuale, rapina, furto, sequestro di persona e violazione di domicilio. A proposta prevê, inclusive, que nem parentes poderão pleitear restituições por danos sofridos durante a prática do delito.
O emendamento integra o provvedimento governativo que foi aprovado pelo Conselho de Ministros em 14 de julho de 2026 e está em exame nas comissões de Afari Costituzionali e Giustizia. Os relatores listados no texto são Erika Stefani (Lega) e Marco Lisei (FdI).
O grupo parlamentar de FdI anunciou que realizará amanhã, na Câmara, uma conferência de imprensa para apresentar a nova proposta de lei com o título "Mai più delinquenti risarciti dalle vittime". O anúncio chega em um momento em que o debate político foi inflamado pelo caso Roggero, que reacendeu a discussão pública sobre a legittima difesa e os limites da reação frente a uma agressão.
Embora a coalizão de centro-direita mostre unidade em relação à proibição dos ressarcimentos, há diferenças claras sobre a revisão da legislação da legítima defesa. A Lega tende a ampliar o perímetro da legítima defesa, incluindo a hipótese de "qualsiasi reazione" diante de uma agressão armada em casa ou no estabelecimento comercial. Forza Italia, por sua vez, rejeita essa hipótese: o vice-ministro da Justiça, Francesco Paolo Sisto, classificou a proposta como inaceitável, afirmando que ela "sconvolge i cardini del diritto penale".
Sisto recordou que a normativa foi atualizada nos anos anteriores e que dois princípios devem ser preservados: a attualità del pericolo e a proporcionalidade entre ofensa e reação — pilares que distinguem a legítima defesa de uma liberação indiscriminada. Além do aspecto jurídico, o vice-ministro lamentou que uma proposta de tal relevância tenha sido apresentada sem um confronto prévio entre os aliados de governo, potencialmente criando mais incertezas do que soluções.
Do ponto de vista prático e para a construção de direitos, a norma pretendida atua como um novo alicerce na arquitetura do direito civil-penal: busca fechar brechas que permitiriam a autores de crimes obter benefícios civis em decorrência do próprio ilícito. Resta ver como os comitês parlamentares e o Plenário reagirão — e qual será o peso da caneta quando os textos chegarem à votação final. Esta é uma mudança que promete derrubar barreiras burocráticas para as vítimas, ao mesmo tempo em que reabre o debate sobre os limites da reatividade individual e a proteção da legalidade.
Em termos práticos, se aprovada, a regra terá impacto direto em ações civis conexas a processos penais, no comportamento de seguradoras e na possibilidade de famílias pleitearem ressarcimentos. O resultado legislativo desenhará, mais uma vez, a ponte entre as decisões de Roma e a vida cotidiana das pessoas, definindo quem tem acesso à reparação e quem fica excluído do sistema de compensações.
Giuseppe Borgo - Espresso Italia