Giuli: redução do IVA para 5% é o maior corte de impostos para a cultura; cinema precisa proteger as maestranze
Giuli afirma que redução do IVA para 5% é o maior corte a favor da cultura; anuncia avanços no cinema, lei delega e apoio às maestranze.
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Giuli: redução do IVA para 5% é o maior corte de impostos para a cultura; cinema precisa proteger as maestranze
Em entrevista ao diretor da Espresso Italia, Davide Desario, durante o ciclo City Talks realizado em Nápoles, na sede da ACEN, o ministro da Cultura, Alessandro Giuli, afirmou que o governo promoveu "o maior e mais imponente corte de impostos" direcionado ao setor cultural ao reduzir a IVA de 22% para 5%. Segundo Giuli, a medida tem impacto econômico e simbólico: "a cultura não é subsidiada, mas subsidiária", disse, enfatizando a importância de desmontar barreiras burocráticas e fortalecer a economia cultural.
No debate sobre o cinema, o ministro explicou que a gestão atual buscou um ponto de equilíbrio entre o que chamou de "overdose" e a "crise de abstinência" do setor. A "overdose" referia‑se aos excessos de medidas adotadas durante a pandemia, muitas vezes concedidas sem critérios; a "crise de abstinência" era o efeito de um sistema anteriormente "dopado" que, ao perder estímulos, ficou sem regras claras, dificultando a programação e prejudicando profissionais.
Giuli criticou a instrumentalização política do tema e ressaltou que a situação encontrada pela pasta era um legado: "Nós isso herdamos e não fizemos nós". Garantiu, contudo, que hoje os fundos existem, são melhor geridos e foram acompanhados por regras claras e por comissões renovadas. Há ainda uma lei delega em tramitação — com um último passo a ser concluído no Senado, em Comissão — que permitirá ao governo finalizar a redação de medidas estruturantes para o setor.
O ministro também reivindicou um consenso amplo, de maioria e oposição, sobre a necessidade de profissionalizar o setor audiovisual: a criação de uma agência dedicada, a adoção de uma programação trienal e o reforço da indennità di discontinuità (indenização por períodos de inatividade). "O cinema não é apenas o grande diretor que pode passar meses na Sardenha; é, sobretudo, as maestranze que têm dificuldade para chegar ao fim do mês", afirmou Giuli, sublinhando que a construção de direitos passa por políticas concretas que cheguem aos trabalhadores.
Sobre a escolha de Monreale como Cidade Italiana do Livro 2027, Giuli manifestou surpresa positiva: a cada edição surge um território inesperado e propostas cada vez mais qualificadas. "O sistema funciona", avaliou. Para o ministro, estabelecer capitais para áreas como o livro, a arte contemporânea e a cultura canaliza energias públicas e privadas, fortalecendo circuitos locais e nacionais.
Giuli destacou ainda que o livro recupera protagonismo nas bibliotecas e centros culturais e que, na era das redes sociais e da chamada "geração incômoda", a presença do livro no espaço público tem valor renovado. Em sua fala permeada por um tom técnico e comprometido com a realidade dos profissionais, o ministro apontou que as medidas recentes buscam tanto aliviar o peso da caneta que decide orçamentos quanto edificar alicerces estáveis para a indústria cultural.
Como repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana, concluo que essas medidas representam um esforço para reconstruir uma arquitetura de políticas culturais mais previsível e inclusiva — uma ponte entre as instituições e os trabalhadores que sustentam o setor.

