Ilaria Salis condenada por demissão de colaboradores: indenização de 300 mil euros e apelo em andamento

Eurodeputada Ilaria Salis é condenada a pagar 300 mil euros por demissão de ex-colaboradores; apelo já foi interposto.

Ilaria Salis condenada por demissão de colaboradores: indenização de 300 mil euros e apelo em andamento

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Ilaria Salis condenada por demissão de colaboradores: indenização de 300 mil euros e apelo em andamento

Por Giuseppe Borgo — A história pública de defesa dos trabalhadores, erguida por Ilaria Salis em praças e tribunas, encontra agora um surpreendente contraponto nos alicerces da lei. O juiz Franco Caroleo, da seção Trabalho do Tribunal de Milão, condenou a eurodeputada do Alleanza Verdi e Sinistra (Avs) a pagar mais de 300 mil euros a dois ex-colaboradores, além de 10 mil euros a título de custas processuais. A decisão foi depositada em 10 de março e pode transformar-se em um curto-circuito político sobre credibilidade e coerência.

Os dois ex-assistentes parlamentares — que haviam acompanhado Salis inclusive durante a campanha eleitoral — foram desligados em 2025 por meio de uma comunicação de rescisão antecipada, antes do término previsto dos contratos, que iam até 2029. Não se tratava de contratos típicos de trabalho por prazo indeterminado, mas de consultorias e colaborações escolhidas pela própria eurodeputada, com vínculo estreito criado no período em que Salis esteve detida na Hungria.

A ação judicial foi promovida pelos ex-colaboradores e patrocinada pelos advogados Francesca Verdura, Tiziana Laratta e Sergio Romanotto. Na petição constou que o desligamento se deu por um genérico “venir meno del rapporto fiduciario” — a perda da confiança — e por alegadas insatisfações profissionais. No entanto, a razão processual que pesou decisivamente sobre o desfecho foi a contumácia da ré.

Em sua fundamentação, o juiz Caroleo destaca que cabia à datrice di lavoro o ônus de provar a existência de uma justa causa para as demissões. Como Ilaria Salis não se constituiu em juízo para rebater as alegações — permanecendo contumace —, o tribunal concluiu pela ausência da justa causa nos recessos impugnados. Em termos práticos: a falta de defesa processual tornou insustentável a tese do empregador.

Fontes indicam que, ainda que a eurodeputada não tenha se manifestado oficialmente até o momento, já foi interposto recurso em apelação logo após a sentença. A tramitação futura poderá alterar o conteúdo financeiro da condenação, mas não apaga o impacto político instantâneo da decisão.

Do ponto de vista político, a condenação cria um nó simbólico. Salis ascendeu aos estrados europeus com uma narrativa construída sobre a proteção dos mais frágeis, a luta contra a precariedade e a centralidade da dignidade do trabalho — princípios que servem como alicerces da sua imagem pública. Ver a representante dessa plataforma ser responsabilizada por práticas de desligamento abrupto dá munição à oposição e abre um debate sobre coerência entre palavra e gestão de pessoal.

As reações políticas não se fizeram esperar. Com tom irônico, o líder da Lega, Matteo Salvini, comentou a sentença nas redes sociais com um lacônico “Spiace”. Dirigentes do centro-direita já utilizaram o caso para questionar a moralidade e a credibilidade do campo progressista que apoiou Salis. Do outro lado, aliados pedem cautela até o encerramento do processo recursal e cobram uma explicação pública da eurodeputada.

Como repórter que atua como ponte entre decisões de Roma e a vida dos cidadãos, vejo neste episódio a necessidade de clareza: as instituições e seus representantes devem manter a coerência entre as plataformas políticas e a administração do pessoal. A decisão do tribunal evidencia que, quando faltam procedimentos e provas, a responsabilidade recai pesada — é o peso da caneta transformado em decisão judicial. Agora, resta acompanhar o recurso e ver se os alicerces desta história resistirão ao apelo.