Mattarella: trabalho é alicerce da democracia; jovens merecem confiança ampla e concreta
Mattarella: o trabalho é base da democracia e da coesão social; jovens merecem confiança concreta; salários dignos e regulação da IA defendidos no Quirinale.
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Mattarella: trabalho é alicerce da democracia; jovens merecem confiança ampla e concreta
Em cerimônia no Quirinale para a entrega das Estrelas ao Mérito do Trabalho, o presidente da República, Mattarella, lembrou que, aos 80 anos da República, o trabalho continua sendo o alicerce da vida pública e da identidade cidadã. A mensagem foi direta: o trabalho é veículo de democracia e de coesão social, e precisa ser protegido das pressões que colocam o lucro acima da pessoa.
Para o chefe do Estado, a marca profunda do trabalho está na dignidade: é nele que cada pessoa afirma seu talento e sua profissionalidade, contribui para o bem comum e sustenta a própria família e comunidade. “O primado da pessoa deve ser reafirmado diante das transformações que podem alimentar pretensões hegemonias tecnocráticas, que usam as tecno-ciências não para fortalecer a democracia, mas para maximizar o lucro”, advertiu.
Mattarella criticou a visão que trata os salários apenas como um custo a ser reduzido em nome da competitividade e advertiu contra a tentação de privilegiar investimentos que substituem a força de trabalho sem avaliar seus efeitos sociais. “Salários adequados não são custo e não contrastam a competitividade”, disse, sublinhando que uma dinâmica salarial apropriada é expressão da dignidade do trabalhador e pilar do modelo social europeu.
O presidente também lançou um alerta sobre cenários em que o fim do trabalho é visto como superação de uma suposta alienação: essa hipótese, segundo ele, pode levar a uma compressão da liberdade e a uma sociedade cada vez mais dual, “entre poucos ricos, um Epulone, e muitos Lazzaro”. A imagem, inspirada no clássico contraste evangélico, foi usada para ilustrar o risco de aprofundamento das desigualdades caso a inovação não seja governada por princípios sociais.
Ao tratar da inteligência artificial e das rápidas transformações tecnológicas, o presidente pediu inovação acompanhada de regulação e políticas públicas. A Europa, afirmou, tem a responsabilidade de defender seu modelo social: isso passa por promover inovação, aumentar a produtividade das empresas e, simultaneamente, fortalecer o diálogo social, a formação contínua e a proteção dos direitos dos trabalhadores.
Uma passagem importante da intervenção foi dedicada aos jovens: aos jovens deve ser dada uma confiança ampla e concreta, afirmou Mattarella. Para ele, investir nas novas gerações — com formação, emprego digno e oportunidades reais — é construir os alicerces de um futuro democrático e coeso. Essa confiança concreta traduz-se em políticas que removam barreiras burocráticas, ampliem a inclusão e permitam que talentos jovens contribuam para a arquitetura do país.
Em tom de ponte entre instituições e sociedade, o presidente reiterou que o poder se organiza por meio de instituições democráticas para assegurar o bem-estar coletivo. O mundo do trabalho, completou, gera ideias, pluralidade e relações que constroem comunidade: é, portanto, um elemento central da construção de direitos e do fortalecimento da cidadania.
Na perspectiva do correspondente que vê a política como construção civil da vida pública, a fala de Mattarella reafirma uma pauta prática: governar a inovação sem desmantelar os direitos, garantir salários compatíveis com a dignidade e oferecer aos jovens mais que palavras — oportunidades efetivas. É um chamado para que as decisões de Roma deem alicerces sólidos às vidas reais dos cidadãos.

