Meloni apazigua crise com os EUA e convoca ministros para festa do embaixador
Meloni busca apaziguar crise com os EUA e convoca ministros para a festa do embaixador; governo evita escalada e remarca memorando sobre minerais críticos.
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Meloni apazigua crise com os EUA e convoca ministros para festa do embaixador
Por Giuseppe Borgo – Em uma operação voltada a apaziguar as tensões entre Roma e Washington, a primeira-ministra Giorgia Meloni se colocou como mediadora interna para conter o desgaste diplomático desencadeado pela troca de farpas com o presidente americano Donald Trump.
Segundo relato de fontes governamentais, Meloni conversou sobre o episódio em Palazzo Chigi com os vice-premiers antes de levar o tema à reunião do Conselho de Ministros. No encontro, a chefe do Executivo fez um apelo claro aos membros do governo: participar da celebração do Dia da Independência dos Estados Unidos, marcada para 2 de julho, na residência do embaixador em Roma, Villa Taverna.
A mensagem oficial reiterou que as relações Itália-EUA são sólidas e não devem sofrer alterações por incidentes pontuais. Meloni, ainda de acordo com interlocutores, destacou que o embaixador norte-americano, Fertitta, sempre se mostrou disponível para o diálogo com Roma — um gesto simbólico para reconstruir a ponte entre as duas capitais.
No governo, a atenção já se volta ao próximo encontro da OTAN em Ancara e à expectativa de uma nova reação do inquilino da Casa Branca, que voltou a criticar a Itália sobre questões de defesa. Meloni tem defendido a posição italiana, repetindo que o país não está em “primeira linha” no conflito envolvendo o Irã, mas o objetivo agora é reduzir a escalada e “reconstruir o terreno comum”, como quem conserta um alicerce para evitar rachaduras na relação transatlântica.
O ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, também pediu moderação: “É hora de baixar os tons e trabalhar”, afirmou em entrevista ao Corriere della Sera. Tajani ressaltou que a política externa não se faz com ofensas e que responder a ataques imotivados foi legítimo, mas insistiu que é preciso evitar que o episódio se transforme em prejuízo político, econômico ou diplomático.
No campo prático, a assinatura prevista de um memorando sobre minerais críticos entre Itália e EUA — inicialmente vinculada à participação do ministro no Business Forum em Miami — deverá ser remarcada para nível técnico, com altos funcionários finalizando os termos. O documento visa diversificar fontes de abastecimento e reforçar cooperação em defesa, tecnologias avançadas e investimentos: uma intervenção administrativa para firmar novos alicerces comerciais.
Do lado do partido da premiê, o líder da delegação do Fratelli d'Italia em Bruxelas, Carlo Fidanza, elogiou Meloni por não prolongar a resposta pública a Trump e reiterou que a Itália merece respeito. Fidanza, que segue para Washington na próxima semana para reuniões do Grupo ECR, defende que o país mantenha sua soberania sem abrir mão da aliança com os EUA.
Com a convocação dos ministros para a festa do embaixador, o governo tenta, simbolicamente, reconstruir uma ponte e conter as fendas no relacionamento transatlântico. Resta acompanhar os próximos passos em Ancara e em Washington: a arquitetura diplomática pode ser reparada, mas exige trabalho silencioso e coordenação técnica — a construção de um consenso que resista ao peso da caneta e ao ruído das manchetes.