Meloni defende Delmastro e diz que, se caso crescer, a justiça 'fará seu curso'
Meloni defende Delmastro e minimiza caso; oposições pedem dimissão e alertam para ligações com o clã Senese. Justiça pode agir se houver mais provas.
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Meloni defende Delmastro e diz que, se caso crescer, a justiça 'fará seu curso'
A controvérsia em torno do subsecretário da Justiça, Andrea Delmastro (de Fratelli d'Italia), não dá sinais de arrefecer. A pauta ganhou força após a notícia de que o político teria participado da criação de uma sociedade comercial ao lado da filha de um condenado por máfia, supostamente ligado ao clã Senese. Delmastro negou irregularidades e afirmou que dedicou a carreira à luta contra o crime organizado, mas sua posição permanece sob forte escrutínio e as oposições continuam a pedir sua demissão.
Desde Bruxelas, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, deixou claro que, no momento, não há hipótese de pedir a saída do subsecretário. Em entrevista a um especial sobre o referendum na emissora La7, a premiê repetiu que conversará com Delmastro — contato que ainda não ocorreu — e afirmou que os fatos que conhece lhe chegaram pela imprensa.
Meloni sugeriu que a divulgação do episódio pode ter sido estrategicamente cronometrada a poucos dias do pleito sobre a separação das carreiras dos magistrados: "Não sei se houve uma manina, não me interessa; são coisas que às vezes acontecem", disse. Em seguida, tentou relativizar a gravidade do caso, descrevendo o episódio como ato de leveza: segundo a premiê, o subsecretário teria comprado cotas de um restaurante com sócios sem antecedentes e, ao descobrir que o pai de um desses sócios tinha problemas com a justiça, vendeu as cotas — e não apenas após a notícia ir para a imprensa.
"Isso é o pior que se tem contra o governo da República italiana?", questionou Meloni, defendendo que há uma distância grande entre imprudência e conivência com a criminalidade organizada. A premiê reiterou que, se a investigação revelar algo mais amplo, "a magistratura fará o seu curso".
Do lado das oposições, a reação foi imediata e dura. A secretária do PD, Elly Schlein, criticou a postura do governo: para ela, o princípio repetido pela maioria — "quem erra paga" — não estaria sendo aplicado ao caso de um subsecretário da Justiça que teria se associado a uma jovem ligada a um indivíduo condenado por atuar como laranja de um clã mafioso. "Meloni deveria ter exigido a demissão", afirmou.
O episódio coloca em evidência a fragilidade dos alicerces de confiança entre instituições e sociedade num momento sensível da campanha pelo referendum. A narrativa divulgada pela premiê constrói uma ponte defensiva em torno do governo, mas não dissipa a exigência de esclarecimentos detalhados. Como repórter de política e cidadania, enxergo aqui a necessidade de transparência: a arquitetura da decisão pública não suporta fissuras que confundam o peso da caneta com a responsabilidade de representar a lei.
Enquanto a investigação e o debate público prosseguem, resta acompanhar se a conversa prometida entre Meloni e Delmastro será suficiente para derrubar as críticas ou se o caso escalará a ponto de envolver atos formais das instâncias judiciais e políticas.


