Meloni: Itália mais forte — PIB cresce e renda per capita sobe quase €4.500 desde 2022

Meloni diz que Itália fortaleceu-se: PIB cresce, renda per capita sobe quase €4.500 e fim do Superbonus aliviará contas públicas.

Meloni: Itália mais forte — PIB cresce e renda per capita sobe quase €4.500 desde 2022

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Meloni: Itália mais forte — PIB cresce e renda per capita sobe quase €4.500 desde 2022

Em entrevista ao quotidiano Milano Finanza, a premiê Giorgia Meloni afirmou que a Itália está a ficar "mais forte" graças a resultados econômicos que, segundo ela, superam previsões e acompanham a tendência da Eurozona. A Chefe do Executivo destacou dados positivos dos dois primeiros trimestres de 2026: crescimento de 1% do PIB em comparação com abril-junho de 2025 e uma progressão adquirida para 2026 de 0,8%.

Meloni sublinha, ainda, o aumento do PIB per capita como reflexo direto da riqueza efetiva dos cidadãos: "cresceu, em comparação com 2022, em quase 4.500 euros", afirmou. Para a premiê, a estabilidade assegurada pelo atual governo permitiu à Itália enfrentar com mais segurança "a mais difícil conjuntura das últimas décadas".

Ao recordar o estado em que encontrou as finanças públicas, Meloni lembrou que, quando o governo tomou posse, os títulos do Estado estavam à beira de um rebaixamento para nível "lixo" e que o spread rondava os 240 pontos — quase três vezes os valores atuais. "Hoje o quadro é muito diferente", afirmou, ressaltando a recuperação.

Comparando com o período pré-Covid, a premiê recordou que, entre 2016 e 2019, o aumento do rendimento per capita foi de cerca de 1.850 euros. Ela admitiu, porém, que o país enfrenta um problema estrutural de baixa produtividade do trabalho, associada à predominância de micro e pequenas empresas e aos insuficientes investimentos em inovação, investigação e capital humano. "São necessários muitos anos para inverter essa tendência, e nós estamos a trabalhar exactamente nessa direcção", disse.

Meloni destacou também que a Itália foi a única nação do G7 a regressar, já em 2024, a um superávit primário pós-pandemia, com crescimento pós-Covid robusto e níveis de emprego nos máximos históricos. Segundo ela, esses resultados foram obtidos graças a uma lógica de "bom senso" nas contas públicas: concentrar recursos essenciais e cortar desperdícios, como faria "todo chefe de família" ao equilibrar o orçamento.

Na entrevista, a premiê voltou a criticar o Superbonus, projeto cuja conta considera descontrolada: segundo Meloni, o benefício custará ao Estado cerca de 174 mil milhões de euros e os pagamentos só terminarão em 2027. "Um desastre que o governo PD-M5S deixou sobre as contas e que retirou dezenas de milhares de milhões de euros da escola, da saúde, dos serviços e das infra‑estruturas", afirmou.

Ela acrescentou que, a partir do próximo ano, a Itália não terá mais esse "fardo" de quase 40 mil milhões de euros por ano, o que permitiria avançar na redução da dívida pública. A premiê afirmou ainda que, se o país não tivesse suportado o custo do Superbonus nesses anos, teria cumprido o trajecto de diminuição da dívida previsto pelos parâmetros europeus.

Como repórter atento à intersecção entre decisões de Roma e vida quotidiana, registamos as declarações com a atenção devida: os números referidos pelo governo reconstroem um quadro de recuperação, mas permanecem os desafios estruturais — sobretudo produtividade, investimento e capital humano — que exigirão, como Meloni reconheceu, políticas de longo prazo. Nesta fase, a gestão orçamental e a reivindicação de recursos libertados pelo fim do Superbonus serão alicerces cruciais na construção da próxima etapa da política econômica italiana.