Meloni reafirma: Sem demissões e governo até o fim da legislatura
Meloni rejeita rimpasto e demissões, garante mandato até o fim e aborda crise no Irã, segurança no Estreito de Hormuz e medidas econômicas.
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Meloni reafirma: Sem demissões e governo até o fim da legislatura
Começou de manhã cedo a longa jornada da primeira-ministra Giorgia Meloni, com uma informativa urgente à Câmara e em seguida ao Senado, onde as réplicas se encerraram por volta das 16h. Em tom firme, a responsável pelo Executivo negou qualquer hipótese de rimpasto e descartou renúncias: "Não há no dimissioni e o governo chegará até o fim da legislatura", afirmou.
Ao falar no Senado, Meloni observou a contradição da oposição: "Há quem descreva este governo como um 'perigo para a humanidade' e, ao mesmo tempo, não peça a nossa saída. Estranho sinal de segurança que, evidentemente, não existe". A primeira-ministra também notou que um partido, entre os da oposição, chegou a pedir demissões, o que demonstraria ainda mais a falta de unidade entre seus adversários. Pela manhã, dirigindo-se aos bancos da minoria com um sorriso, provocou: "O que há, por que estão assim, vocês me parecem nervosos..."
No seu discurso, de cerca de uma hora, estabeleceu pontos claros: rejeição a demissões e a reformulação do governo, reafirmação do compromisso com o mandato até o último dia e foco em prioridades internas e externas. Entre os temas abordados, Meloni tratou da crise no Irã — pedindo inclusive a hipótese de suspensão do Patto di stabilità caso a situação energética piore —, das medidas econômicas para apoiar famílias e empresas, e do referendo perdido sobre a justiça. Convidou a oposição a apresentar propostas concretas em vez de "insultos e demagogia": "Falemos de soluções, vamos ver quem tem ideias".
O cenário internacional ocupou papel central na sua intervenção. Sobre o dossier iraniano, Meloni descreveu uma situação ainda frágil: apesar de um cessar-fogo, "chegámos a um passo do ponto sem retorno, mas agora temos uma tênue perspetiva de paz". Indicou como prioridades a cessação permanente das hostilidades e o pleno restabelecimento da liberdade de circulação no Estreito de Hormuz. A proposta italiana passa pelo trabalho na coalizão para o Estreito promovida pelo Reino Unido, que conta com mais de 30 países, para restabelecer condições de segurança e garantir a livre navegação e o abastecimento.
Ao tratar das relações com aliados, Meloni afirmou a intenção de fortalecer o eixo euro-atlântico e a NATO, rejeitando o que chamou de lugar-comum sobre suposta subalternidade a Donald Trump. Ainda assim, deixou claro que divergências acontecem em pontos concretos: a ofensiva contra Teerã foi uma operação militar que "a Itália não compartilhou nem na qual participou", lembrando o precedente de Sigonella. "Somos teimosamente ocidentais", parafraseou um slogan, mas acrescentou que a união só se mantém se for desejada por ambas as partes.
O laço entre política externa e vida interna foi outro eixo do discurso. A primeira-ministra defendeu as missões internacionais realizadas no seu mandato, incluindo o recente movimento no Golfo Pérsico, lembrando que é dever do presidente do Consiglio zelar pela segurança das rotas marítimas e pelo abastecimento energético — os alicerces que sustentam a economia e a vida cotidiana dos cidadãos. Nesta visão, a política externa não é retórica, mas uma peça da arquitetura que garante serviços, empregos e estabilidade para as famílias.
Ao concluir, Meloni desafiou novamente as oposições a saírem do palco das críticas e trazerem propostas operacionais: "Se vocês têm soluções, apresentem-nas; se não, continuem com os insultos e a demagogia". A mensagem foi clara — o governo pretende continuar sua obra, tijolo por tijolo, na construção de políticas que conectem Roma à vida real dos cidadãos, sem ceder ao ruído parlamentar.