Meloni critica 'patentino antifascista' para editoras e acusa censura; organizadores respondem
Meloni critica 'patentino antifascista' na feira Più libri più liberi; organizadores negam censura e pedem 'clareza e unidade'. Reações de Schlein e Conte.
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Meloni critica 'patentino antifascista' para editoras e acusa censura; organizadores respondem
Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
A recente exigência da feira romana de livros Più libri più liberi — que este ano pede às casas editoras a assinatura de uma declaração de adesão a princípios constitucionais para participar — acendeu um novo confronto no cenário político. A presidente do Conselho, Giorgia Meloni, classificou a medida como um verdadeiro "patentino antifascista" e a definiu, em publicação nas redes sociais, como uma forma de censura.
Segundo Meloni, "é assim que a esquerda concebe a liberdade de pensamento: você é livre, mas apenas se disser o que eles permitem, se pensar como eles pensam, se ler o que consideram adequado". Para a chefe do governo, a solicitação de uma declaração que exclua ideias contrárias ao espectro ideológico do evento seria uma tentativa de "cancelamento disfarçado de luta antifascista".
Do outro lado, a resposta pública não tardou. A secretária do Partido Democrático, Elly Schlein, criticou Meloni por priorizar o tema da feira em vez de se manifestar sobre casos sociais urgentes, citando os trabalhadores da Electrolux que perderam empregos. Schlein lembrou que a própria Constituição, jurada pela presidente, é um alicerce antifascista: "O fascismo não é uma opinião, é um crime, em uma Constituição escrita por quem fez a Resistência".
O ex-primeiro-ministro e líder do Movimento 5 Estrelas, Giuseppe Conte, também se manifestou nas redes, acusando a presidente de desviar-se de questões cruciais — da investigação por corrupção sobre o Ponte dello Stretto e seus 13,5 bilhões bloqueados, às reformas de justiça e saúde abortadas, além da ausência italiana em cúpulas internacionais importantes. Conte considerou a controvérsia sobre a feira e o antifascismo uma "polemica dominical" que ocupa espaço onde deveriam estar reformas e políticas públicas.
A organização da feira, entretanto, em nota oficial, rejeitou a ideia de censura. A Più libri più liberi afirma que a exigência da assinatura é "uma necessidade de clareza e unidade" entre os atores presentes na feira, baseada na partilha de princípios constitucionais, democráticos e inderrogáveis. Para os organizadores, trata-se de um documento que visa definir o compromisso comum com os alicerces da cidadania democrática, não um instrumento punitivo.
Este episódio coloca em evidência a tensão entre liberdade editorial e a defesa de valores constitucionais: uma vez mais, a política nacional funciona como canteiro onde se erguem e se questionam as estruturas do debate público. Entre a acusação de controle ideológico e a defesa de normas partilhadas, resta à sociedade avaliar até que ponto regras de participação em eventos públicos significam proteção dos direitos ou restrição do pluralismo.
Enquanto a polémica corre nas redes e nos palcos políticos, os leitores e as pequenas editoras aguardam um resultado prático: a exigência será mantida, alterada ou abandonada? A resposta definirá parte da arquitetura — e do peso da caneta — sobre como se constrói a liberdade de imprensa e de expressão no chão da cidadania.
Giuseppe Borgo, Espresso Italia