Calenda acusa: “O centro-esquerda é perigoso e Vannacci atua como um asset russo”

Calenda acusa centro-esquerda de não estar pronto para governar e chama Vannacci de asset russo; pede ‘escudo democrático’ e relatório público de informações.

Calenda acusa: “O centro-esquerda é perigoso e Vannacci atua como um asset russo”

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Calenda acusa: “O centro-esquerda é perigoso e Vannacci atua como um asset russo”

Por Giuseppe Borgo — Em entrevista ao 24 Mattino, na Radio 24, o líder do partido Azione, Carlo Calenda, traçou um alerta duro sobre o cenário político italiano e o risco de interferências externas: segundo ele, o centro-esquerda atual é incapaz de governar e existem figuras na cena política que funcionam como verdadeiros assets russos.

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Calenda iniciou sua análise criticando a estratégia do campo progressista na caminhada rumo às eleições de 2027. Para o dirigente, as divergências entre o Partido Democrático, liderado por Elly Schlein, e o Movimento 5 Stelle, com Giuseppe Conte, mostrariam contradições profundas: “Schlein diz que não faremos primárias, faremos o programa, mas não há programa. Conte apresenta um programa que é uma soma de propostas populistas, pró-russas”, afirmou. Na prática, para Calenda, falta uma arquitetura clara de propostas — os alicerces de um projeto de governo — e prevalecem componentes populistas e contraditórios.

O líder de Azione também lançou um alerta específico sobre propostas de atores como Bonelli e Fratoianni, que, na sua avaliação, fazem propostas “surreais” em temas sensíveis como a energia. “Essa esquerda, com forte tração grillina, é muito perigosa ao governo”, disse, ressaltando que a imagem de um bloco desorganizado gera preocupação externa: “o mundo cai e visto de fora dá a ideia de que não são feitos para governar”.

Passando ao espectro da direita, Calenda apontou Roberto Vannacci como um crescimento preocupante que pode virar o “ponto de equilíbrio” em votações decisivas. “Vannacci é um asset russo? Sim”, disse, lembrando do período em que Vannacci teria atuado como adido militar na Rússia e frequentado círculos pró-Moscou. Calenda acusou também que o ex-diplomata promovia mensagens otimistas sobre a posição russa em relação à Ucrânia, mesmo diante de sinais claros de escalada.

O líder de Azione citou ainda a estranheza da autêntica explosão de vendas do livro auto-publicado por Vannacci, como indício de operações organizadas de promoção. Por isso, enviou um recado à primeira-ministra Giorgia Meloni: se houver uma convocação para unir as forças de oposição, não deveria integrar atores que, na avaliação das inteligências ou de investigações públicas, possam estar vinculados a interesses estrangeiros.

Na proposta prática, Calenda voltou a defender o que chama de “escudo democrático”: exige que os serviços de inteligência façam uma relação clara e, preferencialmente pública perante o Parlamento, sobre quem são os perfis e os bots que amplificam determinadas figuras políticas. “Se não sabemos quem é um asset russo ou não, chamar a oposição para um mesmo mesa torna-se problemático, porque essa informação pode acabar direto em Moscou”, advertiu.

Por fim, Calenda traçou o quadro internacional: segundo ele, a Rússia teria como objetivo enfraquecer ou até desmembrar a União Europeia, aproveitando janelas políticas externas, como possíveis mudanças na presidência dos Estados Unidos. “A atuação externa não passa necessariamente pela invasão de território, mas por estratégias que corrompem a coesão europeia”, completou. A mensagem de Calenda é clara: é preciso erguer uma ponte sólida — feita de transparência e proteção institucional — para preservar os alicerces democráticos da Europa.

Como repórter inserido entre Roma e a sociedade, interpreto as palavras de Calenda como um pedido de reforço das estruturas de defesa cívica: construir direitos e derrubar barreiras burocráticas que permitem a penetração de interesses externos na vida política italiana. A democracia, conclui, precisa de canteiros limpos e um projeto de governabilidade que seja inabalável.

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