Deepfakes na política: foto falsa de Tajani postada por Bonaccini reacende debate sobre riscos da Inteligência Artificial
Foto falsa de Tajani postada por Bonaccini reacende o debate sobre riscos dos deepfakes e clonagem de áudio na política italiana.
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Deepfakes na política: foto falsa de Tajani postada por Bonaccini reacende debate sobre riscos da Inteligência Artificial
O post que o presidente do Pd, Stefano Bonaccini, apagou horas depois voltou a acender um alerta já familiar: o uso da Inteligência Artificial como instrumento de ataque à imagem pública. A fotografia manipulada que mostra Antonio Tajani usando um boné vermelho estilo 'Make America Great Again' — uma montagem sem relação com a realidade — é mais um exemplo de como o deepfake vem sendo usado para distorcer fatos e moldar narrativas políticas.
Chamada por alguns de nova fraude do milênio, a técnica dos deepfakes engloba fotos, vídeos e áudios alterados com recursos digitais capazes de violar a identidade, a dignidade e a reputação de indivíduos. Na prática, essas manipulações transformam arquivos multimídia em armas de conflito político, prontas para serem espalhadas em redes sociais e aplicações de mensagens.
Ao olhar para o histórico recente, não faltam casos emblemáticos. A primeira-ministra Giorgia Meloni já foi alvo repetido da manipulação digital: no último maio circularam imagens geradas por IA que a colocavam em cenas inverossímeis, incluindo conteúdos sexualizados e vídeos institucionais falsos (como simulacros de recusa de apertos de mão em eventos internacionais). Como resposta, Meloni avançou numa estratégia jurídica e técnica — registrou, em outubro, o timbre de sua voz como marca sonora junto ao Escritório de Propriedade Intelectual da União Europeia (EUIPO). Gravando quatro segundos com a frase 'Io sono Giorgia Meloni', a medida visa criar um mecanismo prático para acelerar a remoção de áudios ou conteúdos clonados no período pré-eleitoral.
Outro episódio que expõe como a edição pode apagar pessoas da cena pública envolveu a CGIL, que compartilhou uma foto comemorando a vitória de Luiz Inácio Lula e nela aparecia o secretário-geral Maurizio Landini cumprimentando o ex-presidente. Na versão publicada, porém, sumia a então secretária Susanna Camusso, retirada digitalmente do enquadramento. A confederação justificou o episódio como 'erro técnico' antes da publicação; Camusso rebateu, afirmando que a remoção de uma pessoa de uma imagem é, em geral, 'deliberada e bem ponderada'.
Além das imagens, a clonagem de áudio é outro vetor de desinformação: em fevereiro de 2025 circulou um áudio falso atribuído ao ministro da Defesa, Guido Crosetto, reforçando que a manipulação sonora avança em rapidez e sofisticação. E há ainda casos que desencadearam crises midiáticas, como o envolvendo o deputado Roberto Vannacci, que trouxe à tona a dimensão de violência digital contra figuras públicas, especialmente mulheres, dentro da arena política.
O cenário exige uma resposta que combine controle tecnológico, responsabilização das plataformas e ferramentas legais — a construção de novos alicerces normativos, se quisermos — para não deixar brechas na arquitetura do debate público. Como repórter e cidadão, vejo necessário que a política edifique pontes entre a legislação, as empresas de tecnologia e a sociedade civil: só assim será possível derrubar as barreiras que permitem a reprodução de fraudes digitais.
Enquanto o peso da caneta legislativa oscila entre iniciativas reativas e preventivas, cabe à imprensa, às instituições e aos próprios eleitores manter vigilância ativa. A manipulação digital não é um problema abstrato; atinge reputações, decisões eleitorais e a confiança nos alicerces da democracia. Exigir transparência nos meios e mecanismos rápidos de remoção é parte da construção de direitos que protege cidadãos e representantes igualmente.

