Stefano Accorsi lembra Kimi Antonelli em 'Verissimo': 'Era um pequeno samurai' — do set ao kart, o nascimento de um fenômeno
Stefano Accorsi relembra no Verissimo a disciplina de Kimi Antonelli no set de Veloce come il vento: 'era um pequeno samurai' e um verdadeiro fenômeno.
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Stefano Accorsi lembra Kimi Antonelli em 'Verissimo': 'Era um pequeno samurai' — do set ao kart, o nascimento de um fenômeno
Em uma conversa que combina nostalgia e análise cultural, Stefano Accorsi foi ao sofá de Verissimo e relembrou um encontro decisivo que revela mais do que um rosto infantil num set: conta o início de uma trajetória. Accorsi falou sobre o jovem Kimi Antonelli, hoje em destaque, que aos oito anos já figurava como uma das pequenas presenças no filme Veloce come il vento, onde Accorsi era o protagonista.
No relato oferecido ao programa de Silvia Toffanin, Accorsi recorda que, naquele set, as cenas envolviam carros na pista e que o piloto responsável era o pai do menino, Marco Antonelli. Mas a lembrança mais instigante não é técnica: é humana e simbólica. Segundo o ator, Kimi Antonelli já se destacava pela disciplina quase samurai, uma presença serena em meio ao burburinho típico de filmagens com crianças.
"É um verdadeiro fenômeno", disse Accorsi, descrevendo como o garoto se mantinha impassível enquanto os outros pequenos rapidamente perdiam o interesse. A diferença, explicou, vinha de uma rotina sólida: desde cedo, Kimi era campeão na Baby Academy nas etapas do Championkart Series by Parolin. Essa combinação de foco competitivo e calma emocional chamou a atenção do ator — não apenas como testemunha, mas como quem enxerga ali um padrão de formação de personalidade.
Há algo de cinematográfico nessa memória: o filme como espelho e o set como laboratório onde se iniciam roteiros pessoais. Ver um menino “imperturbável” enquanto os colegas testam limites para ganhar atenção é também observar a semiótica do sucesso emergente. Accorsi usa a palavra "samurai" para traduzir essa disciplina, uma metáfora que ressoa além do cliché — indica um repertório interno, um modo de presença que o mundo competitivo do automobilismo costuma premiar.
Como analista cultural, não vejo apenas a fábula de um prodígio. Vejo um cenário de transformação onde a infância se encontra com práticas profissionais muito cedo, e onde a imagem pública se constrói tanto na pista quanto nas lembranças que atores e testemunhas cultivam. O depoimento de Accorsi funciona como um pequeno arquivo afetivo: registra um ponto de partida e sugere um roteiro oculto — a passagem de um menino-figurante a protagonista do seu próprio palco.
Para além do carinho e da admiração pública, resta a reflexão sobre o que valorizamos no talento: resistência emocional, disciplina e, claro, um historial que mistura família e profissão, como no caso do pai Marco Antonelli. Accorsi não romantiza; aponta um fato com a elegância de quem sabe reconhecer um instante que, retrospectivamente, assume a forma de um presságio.
Essa lembrança em Verissimo confirma que, no cinema e na pista, os detalhes do passado raramente são acidentais — são, muitas vezes, o prelúdio de uma narrativa maior. E para quem observa o zeitgeist cultural, a história de Kimi Antonelli é um convite a ler as imagens do presente com o olhar da origem.
Chiara Lombardi — Espresso Italia

