Bryan Adams e a fã mais fiel: mãe de 98 anos segue o filho nos shows e ele quer levá‑la aos 100
Bryan Adams revela que sua mãe, Jane Clark, de 98 anos, segue seus shows; ele prepara o álbum 'How's It Goin'' e fala sobre política.
RESUMO ✦
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Bryan Adams e a fã mais fiel: mãe de 98 anos segue o filho nos shows e ele quer levá‑la aos 100
Por Chiara Lombardi — Em uma imagem que parece saída do roteiro de um filme sobre laços e longevidade, Bryan Adams conta que a sua fã mais incansável tem 98 anos e é, nada menos, que a sua mãe, Jane Clark. Em entrevista à agência DPA, concedida em Vancouver, o músico canadense descreve com ternura e ironia elegante essa presença constante: "Se dependesse dela, estaria em todos os concertos". E quando as apresentações acontecem perto de casa, no Canadá, é quase impossível impedi‑la de subir na plateia.
Há algo de simbólico nessa cena — a mãe como testemunha e guardiã do repertório de uma vida pública. Jane Clark, conhecida localmente na Colúmbia Britânica também pelo trabalho como artista visual, transforma cada show do filho num pequeno ritual de reconhecimento. Adams relata que durante o tour norte‑americano de 2025 ela marcou presença em Vancouver e Boston, e em algumas ocasiões ele a saudou diretamente do palco. É uma imagem que funciona como espelho do nosso tempo: a afeição familiar projetada em luzes de palco.
O cantor, hoje com 67 anos, revela ainda um objetivo afetuoso: celebrar o centésimo aniversário de sua mãe. "O nosso objetivo é levá‑la até os 100 anos. Faltam 17 meses", disse ele, com aquela mistura de humor e devoção que só relações longas costumam ter. Não é apenas um desejo privado; é uma pequena resistência contra o tempo, um refrão que insiste em ficar.
No entremeio dessas memórias, Adams também fala sobre o presente artístico. Ele está prestes a lançar um novo álbum, intitulado How's It Goin', pela sua gravadora independente Bad Records. Entre as faixas, destaca‑se 51st State, uma canção de protesto que toma posição contra os planos discutidos por figuras políticas dos Estados Unidos que visavam, segundo o músico, uma espécie de anexação simbólica do Canada. A canção surge como um exemplo de como a música ainda atua como a semiótica do dissenso, o refrão que reframeia uma preocupação geopolítica em melodia e texto.
Adams também comentou questões políticas em tom de observador. Elogiou a postura pública do economista e ex‑governador do banco, Mark Carney, diante de pressões sobre o Canada, sem, porém, se identificar com um partido específico. Sobre a cena alemã, o músico afirmou captar, em encontros com pessoas comuns, um clima de descontentamento em relação a figuras como Friedrich Merz, percebendo-o como pouco popular entre variados grupos.
O quadro que emerge da entrevista tem camadas: há o narrador — o rockstar —, a testemunha — a mãe artista na plateia — e o pano de fundo político. Essa mistura revela o que eu chamo de roteiro oculto da sociedade, onde memórias pessoais e grandes narrativas públicas se entrelaçam. Bryan Adams não é apenas um contador de canções; é, também, um observador que usa a música como lente para ver o mundo, e sua mãe, Jane Clark, é a plateia viva dessa observação.
Enquanto aguardamos o lançamento de How's It Goin', a história segue simples e contundente: um músico que celebra a própria história junto à mulher que o viu crescer, reafirmando que, no palco da vida, os afetos podem ser o ato mais revolucionário.

