Allerta bomba em aeroportos: psicóloga alerta que vigilância contínua agrava o desconforto dos mais vulneráveis

Psicóloga alerta que alertas de bomba em aeroportos e ataques cibernéticos agravam o desconforto dos mais vulneráveis; orientação para reduzir ansiedade.

Allerta bomba em aeroportos: psicóloga alerta que vigilância contínua agrava o desconforto dos mais vulneráveis

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Allerta bomba em aeroportos: psicóloga alerta que vigilância contínua agrava o desconforto dos mais vulneráveis

Por Giulliano Martini — Apuração e cruzamento de fontes: os recentes allarmi bomba em aeroportos europeus voltam a tensionar uma percepção já abalada por ataques informáticos dirigidos a frigoríficos de supermercados — com episódios também na Itália — e por ataques a serviços essenciais, como a situação reportada num banco de sangue na França. A combinação de incidentes distintos compartilha, segundo especialistas, um efeito central: minar a confiança sobre a fiabilidade de serviços, espaços e rotinas cotidianas.

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Em entrevista ao Espresso Italia Salute, a professora Valentina Di Mattei, presidente do Ordine degli Psicologi Lombardia e docente titular na universidade Vita-Salute San Raffaele, define o quadro com precisão técnica: a medo é uma reação normal diante do risco percebido, mas torna-se problemática quando a allerta contínua prolonga a incerteza e impede que as pessoas entendam o que está ocorrendo e em quem confiar.

Di Mattei alerta que, para os indivíduos mais vulneráveis, esse cenário pode agravar um desconforto já presente. Ela destaca que o problema não é a emergência em si, mas o momento em que a ansiedade se dissocia dos fatos e passa a alimentar-se por conta própria, alterando rotinas: deixar de viajar, evitar locais anteriormente habituais e sofrer insônia. Nestes casos, a recomendação técnica é clara: procurar o apoio de uma psicóloga ou psicólogo.

Para conter respostas exageradas de ansiedade e stress, Di Mattei propõe medidas práticas e verificáveis: informar-se por meio de fontes oficiais, limitar a exposição contínua a notícias e redes sociais, manter hábitos diários estáveis e dialogar com pessoas de confiança. Essas medidas visam reduzir a incerteza epistemológica — a dúvida sobre quais fontes são confiáveis — que corrói a resiliência coletiva em momentos de tensão.

A Comissão Europeia divulgou novas recomendações sobre preparação da população para as primeiras 72 horas de uma emergência, indicando, entre outras providências, a montagem de kit de emergência com bens essenciais. Di Mattei ressalta o valor psicológico dessas orientações: preparar-se para riscos diversos — de desastres naturais a quedas de energia — não equivale a prever um conflito iminente, mas fortalece a sensação de controle e autonomia individual.

No plano familiar, a orientação para lidar com a allerta bombas na presença de crianças é direta e pragmática: ouvir as perguntas sem antecipar respostas, oferecer explicações sinceras e adequadas à idade, evitando detalhes desnecessários que possam alarmar. "As crianças leem o medo nos adultos antes de lerem as notícias", resume a especialista. Demonstrar calma e fornecer explicações compreensíveis constitui a base para que a segurança — necessidade central no desenvolvimento infantil — seja mantida.

Em síntese: manter a informação crível, distinguir riscos e indicar medidas proporcionadas é uma responsabilidade institucional que tem impacto direto na estabilidade psicológica coletiva. A recomendação técnica permanece: quando a ansiedade altera a vida cotidiana, procurar ajuda profissional.

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