Influenza 2026-2027: sem boletim nacional, Pregliasco estima mais de 500 mil casos por semana
Boletim RespiVirNet parado; virologista Pregliasco estima mais de 500 mil casos semanais de infecções respiratórias na Itália. Dados e implicações.
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Influenza 2026-2027: sem boletim nacional, Pregliasco estima mais de 500 mil casos por semana
Por Giulliano Martini. A temporada de influenza 2026-2027 começou com um vácuo de informação oficial que complica a avaliação do cenário epidemiológico: o boletim semanal RespiVirNet, historicamente divulgado pelo Istituto Superiore di Sanità (ISS), está parado desde março, e as autoridades regionais suspenderam o fluxo de dados por questões de privacidade. O resultado é que, apesar da circulação já documentada de vírus respiratórios, não há um painel nacional atualizado e consolidado.
O último comunicado do ISS, datado de 6 de março, registrou a interrupção do sistema de vigilância “em attesa di una regolamentazione in linea con le norme vigenti per la gestione dei dati personali”. Desde então, o painel ficou refém de um impasse jurídico-administrativo: apuração in loco e cruzamento de fontes regionais apontam para um aumento das síndromes respiratórias, mas faltam números oficiais unificados.
Com base no relatório regional da Região da Lombardia (Influnews), o virologista Fabrizio Pregliasco projeta para a reportagem da Espresso Italia Salute que a Itália pode registrar mais de 500 mil casos de infecção respiratória aguda por semana. A conta de Pregliasco parte do dado lombardo de 84.552 casos estimados na semana 44 de 2026 (26 de outubro a 1º de novembro), com incidência de 8,4 casos por mil habitantes — número em aumento em relação à semana anterior e superior ao índice nacional de 7,28 por mil registrado na mesma semana do ano anterior.
“As infecções respiratórias estão em crescimento”, explica Pregliasco, diretor da Escola de Especialização em Higiene e Medicina Preventiva da Universidade Statale de Milão. Ele ressalta, no entanto, que a gripe ainda não atingiu circulação predominante: os vírus já circulam e se fazem notar, mas estamos — por enquanto — em uma fase de intensidade basal.
Em setembro, durante encontro promovido pela Assosalute, o mesmo especialista antecipou uma estimativa para a temporada: entre 12 e 14 milhões de casos esperados ao longo do outono e inverno, com a variabilidade dependente do comportamento das temperaturas. Agora, com a ausência do RespiVirNet, o cálculo semanal de mais de meio milhão de casos deriva do escalonamento do dado lombardo para a população nacional, método que oferece uma estimativa de trabalho — não um número oficial consolidado.
O congelamento do boletim nacional acendeu alertas na comunidade médico-científica e gerou apelos ao Ministério da Saúde para desbloquear os fluxos de informação. Sem o painel centralizado, gestores públicos, serviços de emergência e a própria população perdem um instrumento essencial para monitorar a progressão sazonal de agentes como influenza, vírus respiratório sincicial, Covid-19 e outros “vírus-cúmplices” do outono e inverno.
Do ponto de vista técnico, trata-se de um problema de governança de dados: o sistema de vigilância precisa conciliar proteção de dados pessoais com a exigência de saúde pública por transparência e tempestividade. Enquanto isso não ocorre, o trabalho de mapeamento depende do cruzamento regional e de projeções feitas por especialistas.
Em síntese: os fatos brutos apontam para um aumento das síndromes respiratórias e para uma circulação ativa de múltiplos vírus, mas a fotografia nacional permanece incompleta. A recomendação das fontes médicas é manter vigilância clínica, promover vacinação quando indicada e pressionar por restauração do fluxo de dados que permita tomadas de decisão mais precisas.

