Fornero alerta: declínio demográfico pode reduzir >30% da população em idade ativa e ameaçar emprego e crescimento
Fornero alerta: declínio demográfico pode reduzir >30% da população em idade ativa; propõe mais emprego, imigração e investimento em pessoas.
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Fornero alerta: declínio demográfico pode reduzir >30% da população em idade ativa e ameaçar emprego e crescimento
Em discurso na abertura do Festival dell’Impresa 2026, realizado em Bergamo entre 6 e 8 de novembro e promovido por ItalyPost com o apoio da Confindustria Bergamo, a economista Elsa Fornero, professora honorária da Universidade de Turim e ex-ministra do Trabalho no Governo Monti, traçou um diagnóstico severo sobre o futuro do mercado de trabalho italiano. Segundo Fornero, sem intervenções de longo prazo a Itália enfrentará um declínio demográfico que afetará de modo profundo a estrutura produtiva do país.
“Se não forem tomadas medidas que olhem para além do curto prazo, haverá uma diminuição geral da população e, sobretudo, uma redução expressiva da população em idade ativa. Em projeções para as próximas três a quatro décadas, estimativas indicam perda superior a 30% desse contingente. Isso significa falta de mão de obra para gerar PIB e crescimento sustentável”, afirmou Fornero, durante sua intervenção.
Na visão da economista, a resposta inicial deve concentrar-se em elevar as taxas de ocupação entre os grupos hoje subutilizados: mulheres, jovens e trabalhadores mais velhos. Em vez de tratar os mais velhos apenas como candidatos à aposentadoria precoce, é necessário redesenhar políticas que aproveitem sua experiência e mantenham-nos ativos no mercado produtivo.
Fornero defendeu também um esforço coordenado para investir nas pessoas. Com menos mão de obra disponível, o capital humano torna-se ainda mais valioso: educação, requalificação e políticas de suporte à conciliação entre trabalho e família são fundamentais para aumentar produtividade e participação.
Outro pilar apontado foi a abertura controlada e estratégica à imigração. Para Fornero, políticas inteligentes de acolhimento e integração — idealmente coordenadas em nível europeu — são necessárias para inserir novos trabalhadores no tecido social e produtivo. “Não existem ‘varinhas mágicas’. Sem uma visão de longo prazo sobre o país que queremos ter em uma, duas ou três décadas, continuaremos apenas a flutuar”, concluiu.
Como estrategista econômica, eu diria que este é o momento de calibrar as políticas públicas como se estivéssemos ajustando a transmissão de um motor complexo: pequenas mudanças nas alavancas de participação e imigração, acompanhadas de investimento em capital humano, podem acelerar a economia sem acionar os freios fiscais desnecessários. O desafio é técnico e político: desenhar medidas sustentáveis para manter a engrenagem demográfica alinhada com a ambição de crescimento.
Os alertas de Fornero no Festival dell’Impresa 2026 reforçam que a combinação entre políticas de emprego inclusivas, investimento em competências e integração de imigrantes é a rota plausível para evitar que a perda de população em idade produtiva se transforme em perda de potência econômica para a Itália nas próximas décadas.

